O Escravo Branco

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Depois de Pitangui, Paulo achou que Minas fosse sossegar o facho. De fato, o menino ficou tão aborrecido com a derrota que não levantou mais caso pelo resto do ano; só que estava inquieto com o tédio e o marasmo dos dias.

Era sempre a mesma rotina: andar, ver algumas minas, matar uns índios, andar mais, talvez incendiar uma aldeia, uma rápida parada para o almoço, andar de novo, surrupiar pepitas de ouro, e por fim,dormir.Essa era a vida "monótona" que Paulo o oferecia.

Certa vez, quando perambulavam pelas bandas do Recôncavo, Minas fartou-se do paulista e foi arrumar diversão própria, mas acabou afastando-se demais do bandeira.Quando deu por si, já era fim de tarde, o céu estava avermelhado e logo se tornaria escuro; não conhecia a região e estava começando a se assustar com a possibilidades de estar perdido.

Ah, Paulo iria matá-lo  quando o encontrasse; se o encontrasse. 

Depois de muito vagar em vão, o medo o consumiu, e pôs se a chorar de desespero no meio da estrada. Gritava o nome do paulista para que o viesse acudir; não admitiria nunca, mas temia não voltar a ver aquele cão tinhoso.

Passaram-se horas sem vir ninguém e sua garganta já estava fraca pelo berreiro; até vir surgindo no caminho alguém que ouviu seu pranto. Um rapaz magricela, esguio, de cabelos castanhos aloirados bagunçados, e olhos esbugalhados; carregava uma pesada cesta com algumas frutas tropicais.

-Ei! Menino! Qual o problema? Se perdeu foi?
-Sim, foi.- enxugava uma lágrima

O estranho colocou a cesta no chão e abaixou até sua altura para vê-lo melhor.

-Imagino que já devam estar te procurando. Posso te ajudar a encontrá-los .

-Acho que não; ele não me buscaria, agradeceria por me perder; eu dou muito trabalho.

-Não penses assim…meu nome é Santo; podes me dizer o seu?

-Prefiro não…- Como diria? Minas não era lá o nome mais discreto; além de que, não sabia se aquele galego era de confiança.

Olhava para ele de um jeito que o deixava desconfortável; parecia analisá-lo profundamente de cima para baixo.

-Será que és quem estou pensando? Ouvi muito sobre ti…Minas D'Ouro.- Tentava tocar o menino como se fosse um artigo raro.

Aquilo o assustou mais do que já estava; preferia continuar perdido a ser ajudado por um maluco.
-Ai, esses cabelos sedosos… e essas bochechas!Que vontade de apertar!

Antes que o outro tomasse tal liberdade, saiu em disparada pela mata.

-Socorro!!
-Ei! Foge não! Não vou te machucar! Espera! - O loiro saiu correndo atrás; percebera que havia se excedido.

Tinha que alcançá-lo, e pedir-lhe desculpas; não havia feito por mal, o garoto o havia hipnotizado. Foi quando surgiram dois canos de espingarda lhe apontando a cara. 

 

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