Capitulo Cinco

1.1K 92 12
                                        

______________________________________

Sina

         ANTES DE VOLTARMOS PARA O CARRO, PEGUEI OS LIVROS, OS cadernos e o notebook de Conrad e enfiei o máximo de coisas que consegui na mochila da North Face que encontrei no armário dele.

– Assim ele vai poder estudar para as provas da metade do semestre na segunda – falei, entregando o computador a Jeremiah.

Ele retrucou, sorrindo daquele jeito que só ele fazia:

– Gosto do seu jeito de pensar, Sina Conklin.

No caminho, paramos no quarto de Ari, o supervisor do alojamento. A porta estava aberta, e ele estava sentado diante da escrivaninha. Jeremiah enfiou a cabeça e disse:

– Oi, Ari. Sou o irmão de Conrad, Jeremiah. Nós o encontramos. Obrigado pela dica, cara.

Ari abriu um sorriso.

– Sem problemas.

Eu dei um sorriso pequeno, Jeremiah fazia amigos aonde quer que fosse. Todo mundo queria ser amigo dele.

Pegamos a estrada. Fomos direto para Cousins, a parada final. Seguimos com as janelas abertas e o rádio ligado.

Não abri a boca durante todo o trajeto, e eles não conversaram muito. Eu não conseguia parar de pensar em como senti saudades daquilo, e em como seria estranho entrar na casa de praia sem ser recebida por Susannah.

☆☆☆

Foi, sem dúvidas, uma das melhores noites da minha vida, junto com a virada de ano na Disney.

Não reconheci a voz dele quando ele ligou, em parte porque eu não estava esperando e em parte porque eu ainda estava meio dormindo.

– Estou no carro, a caminho da sua casa. Podemos nos ver? – perguntou.

Era meia-noite e meia. Boston ficava cinco horas e meia de distância. Ele tinha dirigido a noite inteira. Porque queria me ver.

Pedi a ele que estacionasse no fim da rua, dizendo que o encontraria na esquina depois que minha mãe fosse dormir. Ele disse que ia esperar.

No escuro, coloquei o cachecol de Belly. Então fechei a porta do quarto e fui pisando na ponta dos pés pelo corredor, Steven e Belly não estavam em casa, para a minha sorte.

Desci a escada lentamente. A grama quebrava sob a sola dos meus tênis. Eu tinha esquecido de vestir um casaco.

O carro de Conrad estava na esquina, bem onde eu achei que estaria. Estava todo apagado, e abri a porta só lado do passageiro como se já tivesse feito aquilo milhões de vezes. Mas não tinha.

Enfiei a cabeça para dentro, mas não entrei. Queria olhar pra ele primeiro. Era inverno, e ele vestia uma camisa de flanela cinza. O rosto estava rosado por causa do frio; o bronzeado já tinha desbotado, mas ele parecia o mesmo de sempre.

– Oi – disse, entrando no carro.

– Você está sem casaco – observou ele. Me segurei para não revirar os olhos.

– Não está tão frio assim – respondi, embora estivesse, e apesar de eu estar tremendo ao dizer isso.

– Toma – ofereceu ele, tirando a camisa de flanela e me entregando.

Vesti a camisa. Estava quente e não cheirava a cigarro. Tinha o cheiro dele. Então Conrad havia parado de fumar, afinal. Pensar nisso me fez sorrir.

Ele deu partida no motor.

MEMORIES | CONRAD FISHERHistórias para pegar e não largar. Descubra agora