Capitulo Seis

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Sina

SENTI UM APERTO NO PEITO QUANDO VI O CARRO DELE NA entrada da casa. Conrad estava lá. Por um momento, desejei ter estado errada. Jeremiah saiu do carro feito um raio e foi correndo em direção a casa. Subiu os degraus da escada da frente de dois em dois, e eu e Belly fomos atrás.

Foi estranho. A casa ainda tinha o mesmo cheiro. Mas ela parecia sem vida, pelo menos aos meus olhos. Senti vontade de chorar. Voltar ali sabendo que Susannah não está mais entre nós doía como um inferno. A saudade apertava cada vez mais.

Conrad pareceu irritado quando nos viu. Ele fora surfar e tinha acabado de voltar. Seu cabelo estava molhado e ele ainda usava a roupa de neoprene. Fiquei confusa. Embora fizesse apenas dois meses, foi como ver um fantasma. Engoli em seco quando os olhos dele pararam em mim, ele me olhou por pouco tempo, mas que pra mim pareceram horas, e então desviou o olhar para o irmão.

- O que você está fazendo aqui?

- Estou aqui para pegar você e levar de volta à faculdade - disse Jeremiah, e percebi que ele estava se esforçando para parecer tranquilo, relaxado. - Você fez uma grande besteira, cara. O papai está pirando.

Conrad balançou a mão, como se dissesse que aquilo não importava.

- Diga para ele ir se ferrar. Eu vou ficar aqui.

Encarei Belly me desligando da conversa, ela segurou a minha mão e me enviou um sorriso tranquilizador. Então voltei a prestar atenção nos meninos.

- Isso é problema meu. O que ela está fazendo aqui?

Ele não olhou pra mim ao dizer isso, apenas apontou pra mim, e foi como se tivesse me apunhalado no peito.

Comecei a me afastar dos três, retirando a mão de Belly da minha. Estava difícil de respirar.

Contei até dez bem devagar e pisquei algumas vezes antes de me aproximar do sofá, onde eles estavam agora. Belly voltou a segurar minha mão e a apertou.

- Por que você quer me ajudar? Porque se deu ao trabalho de vir até aqui? - Conrad disse assim que me olhou.

Abri a boca para falar, mas nada saiu. Então suspirei e fechei a mão, sentindo minhas unhas machucando a pele da minha mão.

Conrad esperou pacientemente que eu dissesse alguma coisa e, como eu não disse, ele falou:

- Esqueceu que me odeia?

Ele usou um tom de voz sarcástico, desdenhoso.

Eu o olhei prendendo a respiração.

- Eu não odeio você - retruquei quase entredentes.

Então me virei e passei pelas portas deslizantes, indo para a varanda. Fechei a porta e desci a escada com um pouco mais de velocidade até a praia.

Tive um pequeno deja vú. Me sentei na areia e respirei fundo. Era bom estar ali de novo. Eu me sentia em casa mesmo com tudo aquilo, a sensação ruim de quando eu entrei na casa pareceu ter sumido no momento em que coloquei os pés na areia.

Eu não conseguia parar de pensar em Conrad. No que ele disse e da forma como disse. Foram tão poucas palavras mas que doeram tanto. E eu me sentia culpada.

Depois de um tempo, voltei para casa. No caminho eu soltei o penteado que tinha feito no carro para esconder o cabelo roxo, estava começando a incomodar.

Belly estava me esperando e quando aproximei, ela disse:

- Pode ir comigo comprar comida? Vamos precisar passar a noite aqui e só tem cerveja na geladeira.

MEMORIES | CONRAD FISHERHistórias para pegar e não largar. Descubra agora