Capítulo XXIX

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─ Esta é a situação, Marcelo. Estamos em busca do carrasco e assim que eu o encontrar, vou avisar a todos que a rainha Susana está viva e que eu tenho uma filha. Morabe tem uma princesa! É preciso buscá-la.

─ Mas majestade, não acha que está sendo precipitado? E se não encontrarmos esse carrasco?

─ Então o reino vai reconhecer a rainha assim como eu e você. Basta olhar para ela.

─  Certo, ãn.. – Ele limpou a garganta - tem apenas um inconveniente nesse seu plano, majestade. A rainha Bárbara.

─ Sim. Eu sei. Precisamos falar com ela.

─ Majestade?

─ Marcelo, eu não sou viúvo, minha primeira esposa está bem aqui, na minha frente. O que precisamos fazer é chamar o legislador geral para resolver a questão do meu casamento, ou casamentos. Eu não posso estar casado com duas mulheres ao mesmo tempo.

─ Isso é verdade, majestade. Mas, o que pretende fazer?

Ele não continuou a pergunta, mas estava claro que a questão real era: com quem ele ficaria casado?

O rei sorriu e olhou para Susana.

O jantar foi servido para apenas uma pessoa. Não havia ninguém na casa da senhora Mach na hora do jantar, apenas Alana. Ela comeu, olhando para o nada e toda vez que ouvia algum barulho olhava na direção da porta, ansiosa. Tinha sido avisada para não esperar pela mãe no jantar, mas não conseguia entender o que tanto a mãe tinha para fazer a uma hora dessas numa cidade estranha.

Após o jantar foi para a sala e ficou lendo, enquanto esperava. Finalmente a porta se abriu, mas quem chegou foi a senhora Mach, alegre e sorridente, depois de uma agradável noite na companhia das amigas.

─ Ah, senhorita Durval, ainda acordada?

─ Sim, eu descansei bastante à tarde.

─ E sua mãe?

─ Minha mãe?

Ela não soube responder. Tinha esperança de a mãe chegar antes dela. Aliás, tinha certeza de que seria esse o caso, mas não foi o que aconteceu Então, coincidentemente e graças a Deus, sua mãe apareceu na porta.

─ Ah, Lady Durval. Estava exatamente perguntando da senhora.

─ Mamãe, a senhora está bem?

─ Sim, está tudo bem. – Ela parecia agitada, e nem bem chegou, foi direto falar com a dona da casa - Senhora Mach, eu estive fora até agora, porque tenho parentes na cidade. Não tinha certeza de que eles ainda moravam aqui, mas fui me certificar. Eu me lembrei do endereço e eles se lembraram de mim, então receio ter que agradecer a sua bondade, mas não podemos abusar mais da sua hospitalidade. Meus parentes ficaram entusiasmados em nos receber e enviaram até uma carruagem para buscá-la, Alana.

─ Parentes? Aqui?

─ A senhora tem certeza, Lady Durval? Acabaram de chegar, nem chegamos a fazer nada ainda. Além do mais, é um prazer receber vocês, como eu disse, sou uma mulher solitária.

─ Será um prazer tê-la como amiga, senhora Mach! Pode ter certeza de que voltaremos para visitá-la em circunstâncias mais felizes.

─ Bom, se é assim.

Alana viu incrédula sua mãe agradecer a senhora Mach com um abraço e buscar a bagagem delas sem demora. Em poucos minutos as duas já estavam do lado de fora, entrando em uma carruagem de luxo parada à porta. Atrás da carruagem, parados um pouco afastados, dois soldados em seus cavalos aguardavam. Alana achou que era uma coincidência, mas quando a carruagem começou a rodar, ela viu pela janela os soldados esporeando os cavalos para segui-los.

A Lei e o destinoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora