Capítulo XV

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─ Ela me disse que tinha conversado com o senhor, capitão. - Carine informou, incomodada.

─ Ah, mas ela esqueceu de falar o resultado dessa conversa, não é? Porque eu fui bem claro quando disse que ela não podia ir. Imagina se acontecer alguma coisa? Eu sou o responsável pela segurança de vocês. Não acredito nisso!

─ Alana acha que o senhor está aqui para garantir a segurança da carga, não nossa. Fique tranquilo, capitão, ela tem tudo sob controle. Estará de volta antes que perceba.

Carine foi calmamente em direção a uma das carroças e entrou. Gustavo arregalou os olhos ao ouvir a primeira frase da mulher. Como ela podia pensar uma coisa dessas? Ele era o capitão da guarda real, responsável por guardar a vida das pessoas ligadas à família real e também tudo o que dizia respeito a eles. No momento, aquela carga e as duas mulheres eram sua responsabilidade e não seria uma moça irritante e teimosa que iria desestabilizar tudo.

Ele não podia estar em dois lugares ao mesmo tempo; pensou, nervoso. Não podia confiar uma carga tão valiosa a Bartolomeu. Tinha que ir até os soldados levando as caixas, não podia ir atrás dela. Nem tinha como, aliás, sem transporte disponível agora para levá-lo até a ilha.

As carroças rodavam com dificuldade, os pobres animais puxando lentamente o peso delas. Aborrecido, Gustavo manteve-se sentado ao lado de Carine.

─ Não se preocupe. Tenho certeza de que vai dar tudo certo. A ilha é pequena, não acho que Alana possa se perder lá.

─ Por que está tão confiante? Sua filha é tão viajada quanto a senhora?

─ Não, na verdade. Mas sei que ela não é nenhuma estúpida. Precisamos confiar na capacidade das pessoas, capitão. Se minha filha é capaz de liderar dezenas de homens em uma obra tão grande como a reforma de um castelo e uma reforma real, é perfeitamente capaz de se virar em uma ilhota e encontrar o caminho de volta.

Gustavo não respondeu. Estava enfurecido por ter sido desobedecido e olhou para fora ansioso. O caminho era curto, vieram à pé, mas com tanto peso nas carroças parecia que eles levariam mais tempo na volta que na ida.

Finalmente encontraram os soldados da sua comitiva à frente. Deu ordem para pararem e chamou-os para ajudá-lo com a transferência da carga para as outras carroças. Carine desceu e foi em busca de alimento. Não tinha comido nada ainda naquele dia. Olhou para o mar, as ondas estavam mais altas e de repente sentiu uma rajada de vento forte que despenteou seu cabelo e fez sua pele arrepiar com o frio repentino. Então sua calma desapareceu e ela começou a estalar os dedos, ansiosa.

─ O tempo está mudando.

Gustavo se aproximou furtivamente e olhou para o mar ao seu lado. As ondas estavam altas e agitadas e as nuvens no céu estavam começando a escurecer.

─ Eu realmente não esperava por isso. Acha que vem tempestade?

─ Tenho certeza. Precisamos terminar de carregar as carroças e buscar abrigo. Os homens estão famintos, vamos para uma estalagem.

Ele não citou Alana nenhuma vez, ela se perguntou por quê.

─ Alana virá direto pra cá quando chegar.

─ Não acho que ela sairá da ilha tão cedo, Senhora Durval. Se vier a tempestade que o céu está ameaçando, a balsa não vai partir até ela passar.

Carine sentiu um calafrio. Que imprudência, deixar a filha sair assim, sozinha! Agora sua tranquilidade tinha se esvaído totalmente e ela começou a sentir crescer sua ansiedade e percebeu que ela só passaria quando encontrasse com a filha.

─ Vamos, homens.

Os cocheiros das carroças alugadas se foram, mas Gustavo impediu Bartolomeu de ir com eles. "Preciso de outro favor."

A Lei e o destinoOnde histórias criam vida. Descubra agora