Alana e Gustavo embarcaram no dia seguinte na primeira balsa de volta para Porto Velho. Foi uma manhã divertida, ambos bem à vontade um com o outro, agora que a tensão tinha se evaporado. O mar perdera toda a violência recente e as ondas eram quase imperceptíveis na manhã ensolarada.
─ Como será que estão todos lá? Ficaram presos tanto quanto nós o dia todo, com certeza. - disse Alana assim que percebeu Gustavo se aproximando. Ela estava no deque, observando o mar.
─ Sim, mas eu não acho que eles tenham tanta história pra contar.
─ Provavelmente minha mãe ficou lendo no quarto. Mas agora cedo ela deve ter saído.
─ Se isso aconteceu, um dos meus homens a acompanhou. Precisamos pegar a estrada logo, estamos com um dia de atraso.
─ Você é muito preocupado. Duvido que alguém esteja contando os dias da nossa viagem. Por que não aproveita e se diverte?
─ Eu estou me divertindo! E é só por isso que você está perdoada!
─ Perdoada? - Alana abriu um sorriso irônico e ergueu uma sobrancelha.
─ Esqueceu que fui desobedecido e que você colocou sua vida em risco? Consequentemente minha carreira também ficou em risco, porque se algo tivesse te acontecido, o que acha que aconteceria comigo?
─ Me desculpe. Eu não achei que estivesse preocupado comigo.
─ Já disse que está perdoada. No fim pelo menos você conseguiu o seu quadro.
─ Valeu a pena. Eu sei que a rainha ficará muito feliz com ele. Obrigada por recuperá-lo também, aliás.
─ Não foi nada. Na verdade, não duvido que você acabaria alcançando aquele ladrão.
─ É, eu estava quase...
Ela riu e ele riu junto. Assim que chegaram, foram direto para a hospedaria onde Gustavo deixou todos. Como imaginaram, Carine não estava lá. Segundo o soldado que ficou responsável por guardar os produtos, ela tinha ido à feira. Alana fez questão de procurá-la e obviamente, Gustavo não a tiraria de vista, então a acompanhou.
A cidade era um mar de comerciantes oferecendo produtos dos mais diversos. Peixes, chapéus, redes, artesanatos. Tinha de tudo. Mulheres passavam com bacias na cabeça cheias de roupas para lavarem no riacho que desembocava no mar. Tudo era vida e cor, com barulhos de pássaros marinhos ao longe e gritos de vendedores oferecendo seus produtos. Alana estava amando tudo aquilo e parava de vez em quando para admirar alguma coisa que estava à venda.
─ Gostou desse pente, senhorita? É revestido de madrepérola. Aqui, deixe-me colocar em seu cabelo. - O vendedor pegou o enfeite e rapidamente ajeitou no cabelo de Alana, deixando apenas a parte enfeitada exposta. - Que lindo! A senhorita tem o cabelo mais lindo que já vi. Vai levar?
─ Não, obrigada. - Ela tirou o objeto e devolveu ao homem, não sem antes admirá-lo por um tempo. - É lindo mesmo.
O vendedor insistiu, mas Alana saiu silenciosamente, continuando a perambular pelas ruas. Finalmente Gustavo, que estava bem atrás dela, gritou: "Veja, é sua mãe!"
Eles alcançaram Carine rapidamente, que discutia com um vendedor sobre o preço de alguma coisa. Ao vê-los, ela correu para abraçar a filha. Alana não conseguiu escapar das repreensões, mas rapidamente Carine se lembrou de mostrar o espelho e os vasos que adquiriu. Alana aprovou-os, entusiasmada.
─ Senhoras, precisamos ir o mais rápido possível. - Gustavo interrompeu.
Finalmente estavam todos prontos para o retorno, que transcorreu sem maiores problemas. Alana e a mãe com muito assunto para matar o tempo durante a viagem de volta.
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A Lei e o destino
RomanceHá muitos anos os reinos se uniram em um concílio para determinar leis universais que mantivessem a paz e a ordem. Mas entre essas leis, uma influenciou a vida da rainha Susana no Reino de Morabe e também a vida da plebeia Alana, no reino vizinho de...
