Capítulo XVIII

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Os corredores do palácio estavam silenciosos quando Samara saiu de seus aposentos. Ela andava apressadamente, mas com cuidado, se esgueirando pelas sombras. Ia em direção às celas. A prisão ficava longe, mas ela estava resoluta e fez todo o longo caminho em silêncio e pensativa. Como sempre, sua tentativa tinha sido frustrada e agora ela precisava reparar os danos e apagar qualquer vestígio seu no caso.

Finalmente chegou ao seu destino. Um guarda se postava à porta, ereto e olhou para ela, sério. Ao reconhecê-la, fez uma mesura.

─ Preciso visitar um prisioneiro.

─ Alteza, não é permitido visitas a essa hora.

─ Eu não sou qualquer visita. Sou a irmã do rei e o meu assunto com esse homem é urgente e não pode esperar até amanhã.

O homem suspirou discretamente: "Qual prisioneiro?"

─ O que chegou ontem com o Capitão da guarda.

─ Ah, esse. Ele não está aqui.

─ Como assim não está aqui?

─ Foi levado para outra prisão. O capitão disse que não seria prudente mantê-lo perto do palácio.

─ Você sabe para onde ele foi levado?

─ Não sei, alteza. A senhora pode averiguar com o capitão quando amanhecer.

Samara revirou os olhos. Se ela estava ali àquela hora era porque não queria que o capitão soubesse. Deu meia volta, angustiada. Ela precisava saber onde esse homem estava antes que o pior acontecesse!

O dia amanheceu e com o sol o movimento no palácio começou. Os nobres residentes saíram aos jardins, desfilando sua profusão de roupas da última moda. Jogos diversos eram acompanhados nos jardins, criados corriam pra lá e pra cá com todo o serviço a ser feito. A comida, farta, era feita em uma imensa e movimentada cozinha e distribuída em pequenas bandejas nos jogos ao ar livre e servida pomposamente nos aposentos privados àqueles que estendiam seu sono e preferiam fazer a primeira refeição do dia no quarto.

Brenda estava entre esses que mantinham uma rotina lenta e preguiçosa. Ela estava sozinha, seu marido tinha permanecido em casa, desinteressado em aparecer na corte para qualquer coisa, quanto mais um sarau. Mas para Brenda era uma oportunidade muito bem vinda de aproveitar a liberdade. Ela acordou e pediu para sua criada mandar chamar a dama de companhia da mãe, Lady Sales.

Enquanto comia despretensiosamente, sentada na pequena mesa, após o longo ritual de se vestir, Brenda foi informada da presença da senhora. Lady Sales entrou, sorridente.

─ Bom dia, Vossa graça.

─ Bom dia, Lady Sales. Como vão as coisas aqui pela corte?

─ Está tudo ótimo. Sem muitas novidades, a não ser pela chegada repentina do príncipe e do atentado que ele sofreu. Você viu? Os assaltantes hoje em dia estão cada vez mais atrevidos! Imagina...

─ Sim, sim. Eu vi tudo. Realmente, um absurdo tudo isso. Mas a verdade é que eu te chamei aqui porque preciso que faça algo por mim.

─ Ah sim?

─ Sim. Preciso que fique de olho naquela senhorita Durval de quem me falou.

─ A decoradora?

─ Ela mesma.

─ Mas por quê? Foi a senhora mesma quem disse que aquela história que te contei não servia para nada. E também não acho que o príncipe esteja mais interessado nela.

─ Não tem importância. Na verdade, eu mudei de ideia. Quero que você a observe de perto e me fale se perceber qualquer novidade, está bem? Prometo que será bem recompensada.

A Lei e o destinoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora