22.Mamãe Caliari...

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Noto a iluminação irritante acima dos meus olhos, está frio e sinto minha cabeça pesar e doer, em meu braço noto um fino tubo o que me traz a certeza de que ainda estou no hospital. Olho para o aparelho que faz Bip sem parar, isso faz com que minha dor de cabeça se torne ainda mais insuportável.

Olho novamente o ambiente e me deparo com Adriana do outro lado da cama, seus olhos estão fechados e ela parece dormir tranquilamente. Me pergunto quanto tempo me entreguei ao sono. Olho para o teto e respiro fundo, meus pensamentos vão se organizando aos poucos, lembro das últimas palavras de minha mãe e uma vontade maluca de rir surge em mim.

Ela certamente espera que a família Paz e a família Caliari formem o herdeiro perfeito, mas sei que isso não será possível agora, Gustavo e eu dificilmente nos descuidamos, fora o cuidado extra que eu tinha em tomar o anticoncepcional, na verdade se eu estivesse grávida o filho certamente não seria de Gustavo e sim de Carolyna e como isso é humanamente impossível não tem como existir um bebê dentro de mim.

Imagino a expressão de Adriana ao ouvir que minha única relação sem proteção tem vindo a ser com uma mulher e pra piorar com Carolyna Borges, ela com certeza teria uma síncope. Carolyna... não existe mais a possibilidade de partilhar algo íntimo com ela. Preciso aprender a reeducar meu coração, ele tem que pertencer novamente a Gustavo, afinal de contas é com ele que irei me casar e por mais que Carol tenha se tornado um tipo de droga impossível de resistir eu precisava unir forças para abandonar o vício que eu tinha do seu corpo.

***

-Então você está mesmo apaixonada por essa tal de Priscila? - Maria Luiza pergunta.

- É complicado.

- Isso significa que você está realmente
apaixonada. - Acabo rindo da insistência dela.

- De que importa? Ela vai se casar e eu sabia que isso iria acontecer. - Levanto-me do sofá. - Não entendo como consegui ser tão tola, assim que a beijei pela primeira vez me senti diferente. Sei que foi um sinal de alerta para me manter longe, porém tudo que consegui foi me prender ainda mais e ansiar por nossos momentos juntas. Cai de amores como uma garota do colegial.

- Querida, não acho que você tenha o poder
de evitar ou barrar esse sentimento que tem por ela, estava simplesmente marcado para acontecer.

- Estou sendo castigada por não ter me casado com você.. - ela sorrir.

- Nós nunca teriamos dado certo, nasci para
ser sua amiga e confidente.

- Se quiser podemos tentar retomar o que
tínhamos. - Volto ao sofá e seguro em suas
mãos.

- Carol, você me mostra todo seu amor por
outra e agora fala em casamento. Seu coração não pertence a mim, nunca pertenceu.

- Fui feliz ao seu lado, Malu.

- Não, você estava apenas acomodada.
Quando Danda morreu você ficou frágil e
perdida e eu tinha acabado de perder minha filha, então juntamos nossas dores, mas no fundo sempre soubemos que não era o amor que reinava entre nós, mas sim o companheirismo.

- E o sexo. - Dou meu melhor sorriso.

- E o sexo. - ela também ri. - Mas, não foi o
suficiente para nenhuma de nós duas.

- Gostaria que estar com Priscila fosse fácil
como é estar com você. Ela me entrega uma
xícara de chá.

- Se fosse assim você não estaria apaixonada por ela.

- Você tem alguma receita que me faça
esquecer disso?

- Não existe receita, ou se vive ou se sofre.

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