Sem chão

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Aaron

Nídia, estava completamente assustada, hoje pude ver tudo que ela sofreu. Sinto meu coração apertado, não consigo vê-la sofrer, suas lágrimas rasgam minha alma.

Acaricio seus cabelos da cor do sol, e a vejo agarradinha a nossa filha, embora não tenham laços biológicos elas se parecem tanto. Eu as amo tanto que meu corpo se reprime só pelo simples pensamento de perde-las.

Nídia adormece com o meu carinho, e só então relaxa. Quem me dera que eu pudesse guardá-las numa bolha e protegê-las de todo mal.

- amo-vos tanto, tanto. Vou proteger vocês, eu juro. Nem que seja a última que coisa que eu faça na vida.

Levanto da cama, deixando as minhas princesas dormindo. Paro na beirada da porta, incapaz de deixá-las sozinhas. Digito o único número em que penso para pedir ajuda. Meu pai.

- Pai, preciso de si. - digo

- O que se passa, filho? - pergunta preocupado

- Pai, eu preciso de você aqui, por favor. - digo e desligo em seguida

Minutos depois, a figura preocupada de meu pai aparece  seguida da do meu irmão e minha cunhada ligeiramente ensonada.

- O que foi? - pergunta meu irmão aparentemente nervoso - fala pirralho, está me deixando preocupado

Minha família. Sei que posso contar com eles sempre.

- Calma, ele vai falar, dá- lhe tempo. - diz meu pai calmo

- Quem ligou para você? - pergunto curioso

- papai, claro. Você tem a péssima mania de não me avisar quando está com problemas. - diz meu irmão magoado

- desculpa, eu não quis tirar você da cama a essa hora, ainda mais com a sua mulher grávida - digo sincero

- você é meu irmão, porra!  Meu irmão. Você não pode, deve contar comigo sempre - diz me abraçando

- eu sabia, eu sabia que tinha algo errado. E você queria esconder de mim - diz minha cunhada aparentemente brava

- Amor...

- Nada de amor, eu também quero saber o que se passa - diz com firmeza - cunhado, vamos, comece a contar.

Suspirando e sem escolha, começo a contar a história desde o início para eles, mostrando também o recado que recebemos.

- meu Deus! - exclama Fiorella assustada, enquanto meu irmão dá voltas na sala processando a informação

- eu vou matar o filho da puta que está fazendo isso. - diz nervoso

- eu só penso nisso - digo com raiva

Meu pai se mantém calado, olhando para o chão simplesmente. Não consigo decifrar as suas expressões.

- eu preciso contar algo a vocês - diz meu pai sério

Não sei porquê, mas sinto que o ele dirá mudará minha vida para sempre.

- preciso que chame a sua mulher também. Não contarei essa história por partes - diz

- Pai, está me deixando preocupado. - digo

- acho melhor chamar a sua mulher - diz meu irmão

Subo as escadas, preocupado com o que ouvirei a seguir. Encontro Nídia dormindo, e então me aproximo e beijo sua testa.

- amor. - diz sonolenta

- oi vida - digo com um sorriso amarelo - meu pai e meu irmão estão lá embaixo, não se porquê mas acho que meu pai sabe quem está por trás das ameaças que recebemos.

um presente do destinoOnde histórias criam vida. Descubra agora