"A pessoa a quem mais devo desculpas sou eu mesma, por ter me submetido a situações que eu não merecia passar."
Reconquistar é difícil concorda?
É extremamente difícil conquistar novamente uma pessoa a quem você magoou e pouco se importou com o qu...
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Ouço a chamada tocar mais um pouco e quase desligo, pensando que ele desistiu de falar comigo. Até que uma voz diz Alô.
— Luana, é você, filha?
Suspiro de alívio, ele atendeu.
— Sim, pai, sou eu.
Escuto barulho de choro do outro lado da linha.
— Aconteceu alguma coisa?
— Não, é que...não estava esperando que ainda me chamasse de pai, sabe. Faz tanto tempo.
— Claro que eu te chamaria de pai, não importa quanto tempo passe, eu sempre vou te amar como meu pai. O senhor foi o homem que me ensinou a amar arte e me contou histórias sobre fadas e princesas.
— Mas e tudo que aconteceu, querida?
— Tinha que acontecer, pai. Já passou. Falei isso para a vovó esses dias, não foi culpa de ninguém. Coisas assim acontecem e esperamos que não seja conosco, mas às vezes é.
Suspiro, tentando me lembrar do verdadeiro objetivo da ligação.
— Quero te dar uma chance, pai. Vou abrir um restaurante em Rye, está convidado para a inauguração. Convidado vip, que tal?
— Claro, filha. Eu iria até o inferno por você.
— Dizem que é quente. Ainda bem que só precisa vir até Rye.
De alguma forma, sei que meu pai está sorrindo. Sorrindo de verdade, como nos velhos e bons tempos.
— Sorte a minha.
E de repente, também estou sorrindo.
...
Queria dizer que está perfeito, mas seria um eufemismo. É mais do que perfeito, é melhor do que qualquer coisa que já imaginei.
Não é em uma cidade grande, com pessoas famosas como convidadas, muito menos com pratos e talheres chiques.
Meu maior sonho está se tornando realidade em uma cidade pequena e desconhecida pela maioria, com a presença das melhores pessoas do mundo e as antigas e lindas louças de minha avó. Não é nada do que imaginei. É perfeito, minhas antigas idealizações não me levaram a lugares bons.
É incrível a capacidade que temos de mudar diante do tempo, uma pessoa com sobretudo preto que passa diante de nós acenando e às vezes não nos oferece a oportunidade de acenar de volta, talvez porque nossos ritmos estejam diferentes dos dele. Um fato interessante sobre o tempo é que ele não muda, nós mudamos e acreditamos que ele está mais rápido ou mais lento.
Eu fui uma dessas pessoas que deixou o tempo passar e nem percebeu que não havia acenado de volta. Não foi ele que acelerou, eu que passei num ritmo tão veloz que aquela pessoa de sobretudo preto se tornou uma série de risquinhos que não dá para identificar o que formam. E eu mudei, em uma velocidade diferente, mas mudei. Cortei aqueles sonhos infantis e doces com a água quente atirada contra mim e plantei uma espécie de proteção para impedir meu coração de se auto destruir.