"A pessoa a quem mais devo desculpas sou eu mesma, por ter me submetido a situações que eu não merecia passar."
Reconquistar é difícil concorda?
É extremamente difícil conquistar novamente uma pessoa a quem você magoou e pouco se importou com o qu...
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A primeira coisa que desejo agora é um abraço que consiga amenizar pelo menos um pouco da minha tristeza e angústia. Ainda são 6:00 horas da manhã e já tenho todo o peso do universo sobre mim. Mas por culpa minha, não há ninguém e nunca terá ninguém. Então sem abraços.
A última coisa que desejo agora é chorar. Por ironia do destino, é o único desejo atendido. As lágrimas correm. O aperto no peito se manifesta. Não consigo respirar. Ainda sem abraços.
Se fosse a alguns anos ou meses atrás poderia ligar para Lara, ela com certeza viria e traria doces para me ajudar. Mas mais uma vez por culpa minha, Lara está longe e não vai voltar. Espero que não, é melhor que não.
Poderia chamar minha mãe, ela me daria um sorriso gentil e pediria para que eu contasse qual foi meu pesadelo. Eu o faria, mais sorriso gentis e palavras de conforto. Então me deitaria e o monstro de Nicholas pararia de correr atrás de mim.
Tudo bem que não sou mais uma criança, porém não me sinto como se tivesse 21 anos, boa parte da minha vida foi roubada de mim sem aviso prévio. O que é injusto. Ladrões sempre gritam "Isso é um assalto" antes de roubarem alguma coisa. Mentirosos e charlatões não, portanto não tinha como eu adivinhar que aquilo era um roubo. Até tinha, mas bem, já é tarde demais.
Levanto da cama num movimento rápido, a cabeça griando em resposta me faz cambalear e sou obrigada a me segurar na escrivaninha ao lado da cama para não cair.
Ando até a minúscula cozinha devagar, preparando um dos famosos chás britânicos e o servindo numa xícara com uma das minhas frases literárias favoritas, as lembranças do sonho voltando e provocando uma torrente de emoções.
"Nicholas havia mais uma vez chego tarde, cheirando a bebida e perfume barato. Sua camisa branca estava manchada de algum líquido que não consegui identificar no momento e nem fiz muita questão. Era a quinta vez que tinha acontecido. Nas outras vezes tinha deixado passar, ele tinha acabado de perder seu pai, era compreensível que agisse dessa maneira. Mas já estava passando dos limites.
- Onde você estava Nicholas? Fiquei a noite inteira te esperando. - disse indo de encontro a ele.
A expressão dele era cansada e cômica, parecia que seus pensamentos não estavam ali na sala comigo e sim bem longe, onde não poderia ouvir, não importasse o quanto eu gritasse. Mas mesmo assim gritei. E por incrível que pareça ele me ouviu.
- Quem você pensa que é para falar assim comigo? Você é só uma negra de merda que não consegue fazer ninguém gostar de você. Nem mesmo uma irmã. - ele soltou um riso frouxo, por causa da bebida e apontou o indicador na minha direção. - Uma irmã! - exclamou como se aquela fosse a informação mais engraçada que ouvira em toda a sua vida. Escutei aquela risada medonha mais uma vez.
Só que ele não tinha esse direito, não tinha. Falar da minha irmã era demais, até para alguém como ele. Não vi minha mão acertando seu rosto, mas senti a ardência uns segundos depois. Quando percebi o que tinha feito já era tarde demais.