Capítulo 22

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Querido diário,

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Querido diário,

Continuo feliz, só para deixá-lo tranquilo quanto ao conteúdo desse relato.  Incrivel como felicidade costuma ser relativa, afinal, nao estou feliz agora pelo mesmo motivo que estava quando te escrevi pela ultima vez. 

Mas estou partindo, não no sentido de morrer e partir desse mundo, mas partindo de Londres. Partindo desse ciclo para embarcar em uma nova vida louca e repleta de confusão.  Uma vida em que estarei livre dos problemas que faziam parte da jornada a qual me despeco. 

Por isso, quero encerrar esse ciclo direito e lhe contar como meu relacionamento com Nicholhas teve seu final feliz fim. Te contar o que resta e os acontecimentos dos últimos meses e o resultado do julgamento. Sim, houve um julgamento. 

Antes de tudo, temos de voltar um pouco no tempo. Para um período  em que eu ainda chamava um processo destrutivo de amor e estava disposta a aceitar qualquer coisa para me manter quebrada. Temos de voltar para um momento em específico, o momento em que fiquei grávida.  Eu ainda não acredito que isso aconteceu comigo, para ser sincera, mas aconteceu. Foi um alívio, porque as agressões pararam, Nick estava tão feliz com a ideia de ser pai que deixou de lado seu ciúmes excessivo e suas saídas noturnas para bares. 

Eu também estava feliz, nunca sonhei em ter filhos, não de verdade. Pode parecer estranho, já que eu tinha uma alusão à vida perfeita com um príncipe encantado. Meu desejo sempre foi ser a madrinha dos filhos de Charlotte e mimá-los durante toda a vida, sabe, oferecer todo o amor do mundo e ser a favorita deles. 

Por isso, a ideia de ser a mãe, ainda mais sem Charlotte ao meu lado para batizar meu filho e o mimar o quanto quisesse, era um tanto estranha. Mas eu estava feliz por não apanhar mais e por alguns meses, pensei que seríamos uma família normal quando a bebê nascesse. Mais uma utopia que criei para melhorar a realidade.

Era uma menina. Eu escolhi chamá-la de Anne, para homenagear duas figuras ilustres da literatura. Anne Frank e Anne Shirley, minhas maiores inspirações em quesito de sonhos e divagações. Agora, parando para pensar, temo ter me tornado mais uma Anne Shirley do que uma Anne Frank. Se tivesse tido a oportunidade, Anne Frank não teria abandonado seus sonhos por homem nenhum. 

Era divertido pensar como ela seria. Nicholas dizia que ela teria seus olhos azuis e meus cabelos cacheados. Conversávamos até tarde sobre nossas expectativas e quando ele dormia, eu alisava minha barriga que ficava cada vez maior e imaginava o som da risada dela. Imaginava as bochechas gordinhas, os pés pequenos e o sorriso animado, imaginava o som de sua voz quando fosse dizer mamãe e a insistência em gostar de amarelo. Sempre imaginei que ela amaria a cor amarela. Nos meus sonhos encantados, ela seria como uma princesa de luz, que espalha alegria por onde passa. 

Às vezes, eu ia longe e pensava como ela seria quando crescesse. Imaginava que, ao contrário da mãe, seria repleta de amizades e seria convidada para todas as festas. Teria uma energia tão contagiante que todos gostariam de estar perto dela. Ela seria uma adolescente saudável e feliz, não ia sonhar com garotos e paixões e sim com viagens ao redor do mundo e criações próprias. Na minha cabeça, Anne seria uma grande ativista em prol do bem estar do mundo e das pessoas, rodaria o planeta trabalhando em projetos sociais e espalhando sua sabedoria e felicidade para as pessoas que não conseguem alcançá-la. 

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