Mais uma vez após aquela estranha visita fiquei sem perceber o que se tinha passado e o porquê da insistência da mulher em me agradecer. Porque é que ela se foca nisso?
O desejo de obter respostas desde que acordei era enorme, mas com estas visitas ia agravando-se cada vez mais e mais.
A porta do quarto abre violentamente. O casal de branco entra atulhado de maquinaria pesada, maquinaria essa que era composta por monitores e muitos, mas muitos, fios. Tudo era transportado em cima de umas rodinhas que deslizavam pelo chão polido e extremamente limpo.
Após as forças exercidas nas rodinhas pararem e cada um dos responsáveis de saúde se dividirem, reparo na enfermeira que se vai aproximando de mim. Os passos que dava não eram longos, não tinha pressas. As suas mãos começaram a levantar-se aos poucos até tocarem no meu corpo. O meu sangue começa a ser bombeado mais rápido. As mãos que tinham começado no meu pescoço deslizam por ele chegando à parte de trás. Sinto que os dedos dela começam a mexer pouco a pouco, delicadamente; o nervosinho ia aumentando, reparo que ela desaperta algo e puxa isso mesmo para a frente.
"Ela está a d-despir-me??"
A enfermeira ia puxando a minha bata de doente para baixo, começando a revelar o meu corpo, mas pára na cintura. Começa cuidadosamente a apalpar e a retirar uma fita adesiva. Continua a dedilhar e então vejo um pouco de ligadura a sair.
"Eu estava ligado no abdómen?"
A mulher ia desenrolando - era uma imensa quantidade de ligaduras - e cada vez que ia tirando, o meu desconforto aumentava. Ela acaba; pousa a ligadura e pega nos fios que tinha trazido. Estes possuíam umas ventosas nas extremidades do tamanho de uma bolacha pequena. Dispõem-nos ao longo do meu corpo: cinco no crânio, seis no peito, um deles mesmo por cima do meu coração e dois nas pernas. Ela carrega numas setas, uns botões vermelhos e azuis e, de rompante, o ecrã começa a produzir pixéis com tonalidades de verde, assemelhando-se a gráficos de linhas, que subiam, desciam, mantinham-se ou por vezes, até executavam curvas. Os sons não eram muitos, mas os que eram produzidos eram de uma frequência bastante alta. Mesmo já estando habituado àquele quarto cheio de máquinas e sons, estes eram definitivamente piores.
Por mais desconfortável que fosse estar seminu à frente de dois desconhecidos sentia-me estranhamente relaxado e calmo. O doutor sempre a apontar qualquer coisa num bloco de notas e a enfermeira com um olhar sereno a olhar para o visor da máquina.
"Será que eles têm filhos? São casados? " Divagava eu no meu pensamento.
Enquanto estava perdido nestes pensamentos, reparo no movimento repentino da cabeça da enfermeira que deixara de estar direcionada para o ecrã. O seu olhar estava agora localizado nos olhos do médico.
"Será que se vão beijar agora?" Pensava meio brincalhão.
O doutor deixa de escrever e de repente o seu olhar fica meio iluminado mesmo em direção ao da mulher.
"É UMA PROSPOSTA DE CASAMENTO E EU VOU ASSISTIR" - o meu entusiasmo subiu.
Sei que estes pensamentos eram pura fantasia mas quando nos deparamos no estado em que eu infelizmente me encontrava, petrificado numa cama, este pensamentos meios brincalhões são o única coisa que nos podem salvar.
Mas no meio de isto tudo o que não me ocorreu foi olhar para o monitor. Uma das linhas verdes do ecrã apresentava um pico enorme. Embora eu não soubesse o que isso queria dizer, para os peritos à minha frente parecia algo importante.
"Doutor, descobrimos!"
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Exodus
Misteri / Thriller"Ao levantar a folha reparei que algo estava rabiscado na parte de trás. Poderia ser algo mal impresso como a minha professora de plantas tinha feito uma vez, mas mesmo assim a curiosidade falava mais alto. Nas costas da dita cuja eram encontrados 1...
