— Posso pegar uma amostra de cabelo?
— Hm, claro.
— E... você se importa se eu pegar um pouco de saliva?
— Tudo bem.
— E posso...
— Salado, eu vim aqui exatamente pra você pegar amostras de tudo o que for amostrável.
Daisuke havia entrado no quartel general dos caçadores de vampiros pela porta dos fundos. Estava tão tenso que Charlotte sentiu a necessidade de passar a mão no braço dele, encorajando-o. E então eles o haviam deixado com Salado do laboratório e dado a eles um pouco de privacidade. Afinal, o médico estava prestes a fazer algumas perguntas íntimas.
Salado pegou amostras de tudo: cabelos, unhas, saliva... pareceu genuinamente desapontado de saber que um exame de urina era impossível — aparentemente digestão vampírica não funcionava assim — e ficou extático quando Daisuke se regenerou após a biopsia. Daisuke também ficou bastante satisfeito. Nunca havia testemunhado a própria regeneração, era interessante descobrir o quão rápida ela podia ser. A única dificuldade foi quando decidiram coletar uma amostra de sangue.
Salado começou a encher a primeira ampola — ele planejava pegar quatro — quando sentiu uma presença maligna olhando para ele. Respirou fundo e terminou o procedimento, só então ousando olhar para Daisuke. Pela primeira vez o ex-caçador parecia assustador.
— Desculpa, Salado. Eu não imaginava que eu ficaria tão desconfortável em perder sangue.
— S-sem problemas.
Houve uma pausa sem jeito, mas Daisuke percebeu, aliviado, que Salado não se sentia ameaçado o suficiente para apertar o alarme e fazer com que um esquadrão inteiro aparecesse para subjugá-lo.
— Então, que tal uns exercícios na esteira?
O cientista esperava uma negativa, e estava pronto para guardar seu equipamento e deixar os experimentos para outro dia, quando Daisuke respondeu.
— Claro, vamos nessa.
Parecia tão normal, Daisuke pensou, colocando roupas de hospital e tendo eletrodos colocados no peito e testa. Ele percebeu que estava em péssimas condições: começou a se sentir cansado antes mesmo da velocidade que costumava correr quando era humano. Se concentrou em correr, e com alguma força de vontade conseguiu manter aquela velocidade e até aumentar um pouco, e depois um pouco mais. Ele estava gostando tanto disso que a princípio ignorou o efeito colateral.
— Salado... quando você pretende parar o teste?
— Hm... eu também estava me perguntando. Sua respiração não mudou e... bem... você não tem batimento cardíaco. O que quer que te dê forças pra se mexer, não é sangue e oxigênio.
— É sangue. — Daisuke apertou o botão, fazendo o aparelho parar. — Só não do jeito que você está acostumado. — Ele se sentou. Não respirava com dificuldade, mas apresentava outros sintomas de exaustão. — Eu estou morrendo de sede. Como se eu não me alimentasse há um mês.
"Estranho pensar que eu sei o que é passar um mês sem me alimentar."
Bocejou.
— Salado, o sol está nascendo?
— Sim, como você... ah.
— Você me deixou correr a noite toda?
— Você parecia estar se divertindo.
"Eu estava". Daisuke admitiu para si mesmo. Talvez devesse parar de ser tão teimoso e começar a usar a academia no porão de Akihito. Bocejou de novo.
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Técnicas Sanguíneas
VampireDaisuke Koyama, policial do departamento de controle de eventos paranormais, foi capturado e transformado em vampiro por Haruka - uma vampira puro-sangue com uma habilidade sanguínea peculiar: todos que bebem o seu sangue adquirem dependência. Dais...
