Capítulo onze

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Quando Daisuke voltasse para aquele quarto, ele seria um assassino.

Não interessava que era Haruka quem ia matar a garota, ele havia sido o instrumento escolhido para isso. Ela ia morrer porque Daisuke a escolhera a morrer. Com um aperto no peito, percebeu que já sabia quem "ela" era.

Daisuke encontrou outras mulheres nos corredores, mas não olhava os rostos delas. Apenas respirava, sentia que o perfume do sangue não era o que estava procurando, e seguia em frente. Cogitou procurar a vovó Kiku. Será que se fizesse isso Yukio o mataria? Mas a senhorinha não falava português, e parecia errado — quer dizer, mais errado ainda — levar uma pessoa para a morte sem poder dizer para ela que era exatamente isso que estava acontecendo. Além disso, parecia muito baixo decidir que uma vida valia menos que a outra porque tinha mais anos deixados para trás do que pela frente.

— Senhor Daisuke? — Yu Jun o chamou, fazendo-o se virar.

Podia ser ela. Por que não ela? Por que não ela, em vez da única pessoa que conversava com ele dentro da casa?

— Senhor Daisuke? — a voz dela tremeu um pouco, e essa era a resposta de Daisuke. Yu Jun tinha medo.

— Yu Jun... você viu a Hana por aí?

Hana não.

Yu Jun lhe indicou uma direção. Ele agradeceu e retomou sua busca. Começou a temer que estivesse demorando demais, que Haruka achasse que ele não estava levando a tarefa a sério. A vampira estava enfraquecida, mas ele não duvidava que ela ainda pudesse quebrar todos os seus ossos mais uma vez.

Foi interrompido por um aroma familiar. Acabara de virar um corredor, e tinha a impressão que uma pessoa usando perfume forte havia passado um longo tempo ali e acabara de sair. Olhou para o chão. Acabara de ser limpo. Daisuke seguiu o rastro de limpeza até onde Hana se encontrava com um esfregão.

— Hana.

A garota pulou, derrubando o balde com água e os produtos de limpeza.

— Senhor Daisuke. — Ela disse quando se acalmou. Tinha uma mão sobre o coração disparado. Daisuke se surpreendeu com o fato de que podia ouvir os batimentos cardíacos. — O senhor está tão silencioso.

— Eu sinto muito.

— Não foi nada. — Ela começou a recolher a bagunça no chão, mas Daisuke a interrompeu.

— Hana. Haruka disse pra eu trazer uma das empregadas.

A moça assentiu, deixando o esfregão e o balde onde estavam. Começou a se dirigir ao quarto de Haruka sem hesitar, e Daisuke se sentia a pior pessoa do universo.

— Hana... Se você for lá, você vai morrer.

— Oh.

Isso teve o poder de fazer ela parar. O pulso dela acelerou de novo, e Daisuke podia perceber um levíssimo tremor nas mãos dela. Hana tentava se controlar, mas o perfume do sangue dela estava tingido de medo. O cheio provocava reações em Daisuke. Se sentia hipersensível às reações dela, e se ela corresse, acabaria dando o bote.

— Eu posso encontrar outra pessoa. Não tem que ser você.

— Não... tudo bem. — Ela engoliu em seco. Voltou a andar em silêncio, e Daisuke decidiu dar a ela algum espaço.

— Senhor Daisuke?

— Pois não?

— Quando eu morrer... será que você pode me trazer de volta?

Daisuke precisou de alguns momentos para processar o pedido.

— Você quer ser uma vampira.

— Querer é uma palavra forte. Mas eu não queria só... acabar.

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