Change is needed

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1 MÊS DEPOIS


Há um tempo eu cheguei à conclusão que minha vida é um livro mal escrito. Um livro que a autora pega uma página em branco apenas quando está com raiva ou frustrada e resolve descontar todo seu amargor em um personagem fictício. Eu não a culpo. Acho também que se eu pudesse escrever um livro, a história seria amarga e triste. Afinal, como doar felicidade se você não a sente?

Já faz um mês que eu mudei totalmente o rumo da minha vida. Tomei uma decisão e fui contra todos os princípios que eu tinha estabelecido para eu mesma desde criança. Mas agora percebo que quando a vida exige mais de você, a sua única saída é mostrar para ela que você é capaz sim ou entregar todos os pontos. Eu estava com a faca e o queijo na mão quando sai da casa de Brennan apenas com uma pequena mala de roupa, um cheque que eu tinha recebido um dia antes como pagamento pelo meu primeiro mês na T&T e o carro que meu pai morreu. As minhas possibilidades estavam restringidas a isso.

Claro, eu poderia voltar para Laguna, tentar encontrar um outro emprego e alugar uma casa novamente, mas a probabilidade de cruzar com o meu passado era tão grande, que só a possibilidade já me deixava engasgada e com vontade de vomitar. Então peguei meu cheque, o descontei, enchi o tanque do meu carro de gasolina e dirigi por quatro horas até Las Vegas, a cidade do pecado.

Antes disso, eu fui a Laguna visitar o túmulo do meu pai. Chorei por horas em frente a sua lápide e não pude colocar em palavras ou pensamentos tudo que eu estava sentindo, então conversei com ele sobre coisas banais. Sobre como estava razoavelmente quente em LA nessa época do ano. Como era gostoso passar o fim de tarde na praia ou como minha habilidade na cozinha tinha melhorado consideravelmente desde seu acidente. Disse que o amava e que não importava quão longe eu estivesse, eu daria o meu máximo para vir visita-lo e contar o que estava acontecendo na minha vida. Acho que ele não ficou muito feliz em escutar o que eu faria a seguir, mas naquela altura do campeonato, que outra escolha eu tinha?

Quando cheguei à Las Vegas, procurei o hotel mais barato para eu poder passar os próximos dias. Não muitos dias, eu não tinha tanto dinheiro para isso. Fui a uma Lan House e passei horas e mais horas pesquisando sobre a vida de Melissa. Ela tinha uma mansão gigante aqui e agora viaja em turnê pela Europa divulgando seu novo CD. Claro, essas informações não são tão fáceis assim de achar na internet, mas elas estão lá se você procurar direito. Leva tempo, energia e dinheiro, mas eu as consegui.

O meu próximo passo era confrontá-la. Dizer que eu sou sua filha e preciso da sua ajuda, mas eu como eu faria isso se ela está na Europa? Eu não tenho dinheiro o suficiente para pagar hotel por tanto tempo.

Todos os meus instintos estavam gritando para eu fugir, para eu voltar para Brennan e perdoá-lo. Ele só queria me proteger, eu sei disso. Agora eu entendo, mas não consigo esquecer. Não consigo me imaginar olhando para seu rosto e sorrindo para ele novamente.

Ele não me procurou. Não teria como fazer isso, pois deixei meu celular em sua casa e ele não acha que eu poderia vir a Las Vegas procurar minha mãe, porém se acha, não fez nada para impedir.

Então numa manhã de terça-feira, eu fiz o check-out no hotel e me dirigi a mansão da Melissa. Eu tinha uma ideia maluca em minha cabeça, mas não sei se daria certo e se desse certo, seria só até ela voltar de viagem.

Peguei meu carro velho e passei sete vezes em frente a sua mansão. Na sétima vez, um segurança de dois metros e muito carrancudo estava parado em frente ao portão duplo gigantesco olhando meu carro passar. Quando me aproximei o suficiente, ele fez sinal para eu parar o carro.

- Posso te ajudar? - Ele pergunta grosseiramente. Tem um leve hálito de cigarro.

- Desculpa, é que eu estou meio perdida. - Sorrio sem graça e pego um mapa que está no banco do carona. - É que eu tenho que fazer uma entrevista de emprego em alguma casa dessa rua, mas eu não sei qual é.

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