nonsense | ansu fati

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But I can't help myself when you get close to me
Baby, my tongue goes numb, sounds like "bleh-blah-bleh"
I don't want no one else (No, no), baby
I'm in too deep

Acho que quase enlouqueci no tempo que passei longe de Flora, essa é a única explicação plausível para eu estar pensando em Anssumane Fati 24 horas por dia, sério, estamos na mesma festa e simplesmente não consigo me controlar, me sinto a porcaria de um animal irracional. O jogador também não dá trégua, pra que ficar me encarando assim? Estou dançando, estou tentando esquecer um pouco dele desde que me disse que não ficamos mais se eu não dissesse o que ele quer ouvir, quantos anos ele acha ele que tem?

Enfim, o rolo todo começou na semana que o Barcelona ganhou a Supercopa em um el clásico que fez Flore surtar, sério, não sei quem estava mais miserável naquela semana, eu ou o avô da minha prima, o jantar em família foi um clima de velório. Flora tinha ido embora, e nem se deu ao trabalho de se despedir de mim, uma noite estava consolando seu coração quebrado, na outra fiquei sabendo que ela estava a caminho da Grécia, não vou mentir fiquei muito chateada, ela sempre foi como uma irmã pra mim e poderia pelo menos ter mandando uma mensagem, mas no fim a perdoei, sabia que estava uma bagunça e que não fez por mal.

Minha vida ficou um pouco vazia, tinha amigas pela Espanha, mas nenhuma era como ela, além disso tinha acabado de terminar a escola e não tinha nenhum plano definitivo pro futuro e não tem nada mais solitário e deprimente do que se sentir ociosa e completamente inútil ao seu país, e bem a coisa que mais gosto de fazer quando estou assim é cair na balada. Era uma terça-feira muito parada, os bares estavam abertos apenas para happy hours e eu queria um clube, uma festa, qualquer lugar tão cheio que fizesse meu coração disparar com o som alto da música, comecei a enviar mensagem para qualquer um que conhecia e a única oportunidade que apareceu foi uma festa super aleatória com pouquíssimas pessoas que eu, de fato, sabia quem eram e esse é meu tipo favorito de evento, assim posso ser quem eu quiser.

Escolhi um dos meus vestidos, fiz babyliss no cabelo e fui à luta. A casa era enorme como sempre são, as pessoas tinham as conversas abafadas pela batida que gritava das caixas de som, o ar cheirava a suor, bebida e cigarro, aquele é o retrato dessas coisas, é mais ou menos quando você sabe que está no lugar certo. Curti muito aquela festa, dancei como uma louca, cheguei a subir em uma das mesas com uma garota que conheci no banheiro, joguei beer pong com meninos muito gatos e depois os dispensei porque também eram chatos pra caramba, no fim estava cansada, minha roupa grudada no corpo, o cabelo desgrenhado e semi preso em um rabo de cavalo e estava quase me rendendo ao fato de que teria que ir embora logo, logo quando encontrei com Ansu Fati.

Sério, não sou idiota, sempre soube que ele é lindo, mas caramba, como estava perigosamente gostoso naquela noite, gosto de me aproveitar de meus privilégios familiares e pegar todos os jogadores que quero, mas costumo passar longe da encrenca do time catalão, contudo, nossa, estava louquinha pra mergulhar no problema. O camisa dez tinha um sorriso quase sujo no rosto, usava roupas muito estilosas e tem o tipo de postura que me atrai, não pensei muito, só me aproximei da sua rodinha de amigos.

— Boa noite, meninos.

Mexi no meu cabelo jogando minha franja para o lado e encarando Fati nos olhos, pode parecer bobo, mas funciona todas as vezes. Ele sorriu e ajeitou a gola da camisa como se estivesse sendo sufocado por ela.

— E aí, Isabel, né? — ele questionou fingindo desinteresse. Ah, tá bom, gatinho seus olhos estão te entregando.

— Em carne e osso – respondi fazendo um gesto exagerado com as mãos, ele deu uma risada divertida e por um segundo desviou o olhar, e foi aí que eu soube que ele também estava definitivamente interessado, acredita, tenho experiência nesses garotos.

GOL DE PLACAOnde histórias criam vida. Descubra agora