i can't get over you | christian pulisic

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                       Christian Pulisic era o tipo de cara sobre quem eu contaria para a minha mãe

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                       Christian Pulisic era o tipo de cara sobre quem eu contaria para a minha mãe. Ele era perfeito, por fora e por dentro, com seu sorrisinho tímido e sua barba por fazer, que sempre pinicava em meu rosto quando eu o beijava na bochecha. Ele era engraçado, simpático e inteligente. Tinha todas as qualidades possíveis e, eu tinha certeza absoluta, mamãe iria amá-lo. Iria querê-lo em todos os feriados e ligaria para ele, apenas para saber como ele estava, porque Christian seria seu genro preferido, mesmo que fôssemos cinco irmãs e mamãe dissesse que gostava de todos os genros igualmente. Ela gostaria mais de Chris.

Ele era o tipo de cara para quem eu escreveria poesias, mesmo que eu fosse uma baita negação com as palavras. Eu daria um jeito de me transformar em Shakespeare, só para poder descrever como suas tatuagens pareciam transformá-lo em uma obra de arte, daquelas que ficam no Louvre, como seu corpo era uma tela em branco para as minhas mãos que corriam por sua pele clara, como seus lábios eram doces como mel e haviam me deixado viciada na textura, em como seu aroma me hipnotizava, levando-me até ele, fosse física ou mentalmente.

Eu sabia que apresentaria Christian a todos os meus amigos como o homem responsável por me fazer querer um relacionamento, algo estável, um pedacinho do paraíso dentro da terra. Eu diria para todos eles o quanto o amava, o quanto ele me fazia bem. Eu já fazia isso, mesmo com nosso título de Amigos. Com um pouquinho de benefício. Todo mundo sabia que Christian Pulisic me tinha em sua mão, do jeito que eu não queria, mas era o que nós tínhamos.

Ele ainda amava a garota que quebrou seu coração. E eu o amava. Era tão patético, tão terrivelmente patético.

Era aquela típica história que uma loira gata contaria nas telas do cinema nos anos 2000. Pobre protagonista, apaixonada pelo rapaz que não poderia ser dela. É tão irritantemente triste que poderia me fazer chorar por semanas. O que era verdade, afinal, eu tinha o emocional de uma criança recém nascida, estava sempre derramando lágrimas e sentindo que o mundo ao meu redor tinha algo contra mim. Eu tinha certeza que, caso a deusa do amor fosse real, ela havia me proibido de encontrar a minha cara metade.

A minha história com Christian era longa e — deveria ser — promissora. Eu o conheci em Cobham, em meu primeiro dia de trabalho dentro do maior clube de Londres — você sabe, aquela história de Pride of London e London is blue.

Claro, eu era apenas estagiária do fisioterapeuta do time e havia conseguido a vaga por indicação, afinal, tudo nessa vida se consegue se você tiver talento, trabalhar duro e conhecer pessoas importantes. Não que eu considere minha irmã June um nome importante dentro do clube inglês, mas namorar o maior cavador de pênaltis do atual elenco — e o cara mais azarado que já conheci —, era ter um pouquinho de moral com os chefões. E meu currículo era bom! Óbvio.

Era sexta-feira. Eu deveria começar o estágio na quarta, mas o cara do departamento médico deles ficou gripado e decidiram afastá-lo ao longo da semana, mas na sexta eu precisei acordar cedo, porque meu apartamento era distante demais das dependências do clube, e queriam que eu conhecesse a equipe e os garotos que estavam em recuperação de lesões. Eu nunca havia estado na presença de um clube de futebol inteiro antes, na verdade, nem ao menos havia pisado em um estádio antes, então, eu estava começando a achar que poderia cometer alguma gafe imperdoável ou, não sei, entrar em pânico porque, às vezes, eu acabava ficando com tanto medo de situações que envolviam interações com mais de três pessoas que não conseguia falar nada. E seria desastroso.

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