lavender haze | kai havertz

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Eu odiava correr no calor

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Eu odiava correr no calor. Cheguei ao final do campo completamente sem ar. Xingando todas as gerações de todos os responsáveis por terem escolhido um país desértico para sediar a Copa do Mundo. Que, para acrescentar, parecia ser o menor dos problemas com essa escolha. Depois da homofobia, machismo, toda a história do trabalho escravo... É, realmente o calor era um pequeno inconveniente.

Olhei para o céu em busca de uma nuvem para ter uma sombra. Eu precisava de um tempo. Todos nós. Alemães não estavam acostumados com isso. E morar na Inglaterra realmente fez com que eu me acostumasse com o tempo nublado. Cara, o que eu não daria por uma chuva agora.

Estava com tanto calor que não percebi que estava parado na frente da área destinada a imprensa e só me dei conta quando um flash foi disparado em minha direção. E talvez o calor estivesse chegando no meu cérebro porque jurei que vi Lavender ali no meio. Mas era impossível, porque ela era fotógrafa de casamentos e se eu me lembrava bem, ela odiava futebol.

— Havertz! Tá parado por quê? — o técnico berrou. Respirei fundo e voltei a correr. Os treinos de cardio realmente eram os piores.

Encontrei Julian no meio do campo.

— Irmão, vou derreter. — ele reclamou.

— É feito de açúcar, Brandt? — Müller passou por nós, ainda cheio de energia. Simplesmente uma máquina. Seja lá o que o Bayern estava dando aos seus jogadores, eu precisava.

— Sim! — Julian respondeu rindo.

— Eu preciso do banho de gelo, tipo agora! — comentei.

Longe de mim sair como o reclamão e rabugento, afinal, era a Copa do Mundo. Eu havia treinado tanto para esse momento e cada sacrifício me trouxe até aqui. Esse era o sonho. Para ficar melhor que isso, apenas se levássemos a taça para casa.

Mas, você sabe, nunca estive tão feliz como agora, mas ainda precisava reclamar. Faz parte da natureza do ser humano e o calor realmente era de matar.

Flick bateu no meu ombro quando o alcancei. Sinalizando o final daquela tortura em forma de preparação física. Pelo menos, também, me entregou uma garrafa de água.

Um dia antes da partida contra a Espanha, tínhamos muito trabalho pela frente. Eu entendia a rigidez e a cobrança. Depois de 2018, nós tínhamos um dever com o nosso povo de ir bem nessa Copa, ainda mais depois do começo ruim, perdendo do Japão.

Flick passou a mão pelo rosto.

— Tenho que encarar os tubarões agora. — era assim que ele se referia aos jornalistas na coletiva de imprensa que o esperava. — Venha comigo, o que acha? Eles sempre gostam de jogadores.

— Quer me jogar na fogueira, treinador? — perguntei brincando, mas ele não gostou. — É, vamos lá.

Tomei um banho rápido e me arrumei para parecer apresentável em frente às câmeras. Entrei ao lado de Hans e ele começou respondendo as perguntas. Sempre a mesma coisa. Novidades na escalação, previsão para o próximo jogo. Eu odiava.

GOL DE PLACAOnde histórias criam vida. Descubra agora