No futebol, um gol de placa é um gol muito bonito, considerado merecedor de uma placa ou homenagem a quem fez o gol.
No amor, um gol de placa é aquele marcado por alguém que, entre erros e acertos, acerta um cabeceio, encobrindo o goleiro e virando...
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Quando você chega em Dortmund, na cidade que respira as antigas minas de carvão e o clube preto e amarelo do Vale do Ruhr, se percebe uma coisa aqui e ali sobre o ambiente local. Se tratando de futebol — que é o principal adereço, eu diria —, era necessário saber que, para cada aurinegro presente naquela curiosa e tranquila cidade, os jogos do time local, o Borussia Dortmund, eram um acontecimento de extrema importância.
Sendo uma cidade com quase 600 mil habitantes, pode-se imaginar o impacto na vida de cada uma delas quando, de forma cruel, o clube aurinegro perdia uma partida, ou, de forma magistral, vencia um dos jogos durante a semana. No entanto, tratando-se dos clássicos da maior região industrial da Alemanha, um Revierderby poderia causar um pandemônio sem precedentes. Era fato que, ao longo das semanas que antecediam o jogo tão esperado, você conseguia sentir no ar toda a tensão e excitação da torcida.
Nas redes de televisão, as dúvidas ficavam em torno do rendimento das duas equipes, as escalações, as chances. Não interessava muito o tópico, o importante estava em falar sobre o derby do Vale do Ruhr, o clássico mais esperado entre os habitantes da região.
— A situação do Schalke é a pior possível — o rapaz vestido com a camiseta comemorativa da temporada passada, na fila do caixa do Beumore, debochou. — É jogar terra em cima de caixão, cara. Nós vamos vencer.
— Não que o Dortmund também esteja muito bem... — o segundo rapaz, vestido com uma blusa branca normal, respondeu.
Então, a discussão se iniciou. Era sempre assim. Enquanto a dupla tentava expor suas opiniões, em uma das mesas, um outro grupo de amigos conversava sobre os jogadores, sobre o técnico Rose, recém anunciado, a próxima temporada, se Sancho e Haaland permaneceriam...
Todo mundo falava sobre o Dortmund e o clássico, em qualquer canto da cidade.
Soltei uma risadinha por trás do jornal que lia, ouvindo os murmurinhos se intensificarem. Todos os habitantes do Vale do Ruhr, de fato, respiravam aquele jogo, menos eu. Ou, claro, eu era uma das poucas pessoas que, contrariando as estatísticas de uma família aurinegra, dos avós aos netos mais jovens, não tinha comoção alguma em relação ao clube da cidade. E ao esporte em geral.
Eu cresci ouvindo que nossa família nascia com um coração amarelo. Nada mais e nada menos que uma paixão sobrenatural pelo clube local. Torcer para o famoso Dortmund era mais que uma escolha, era um estilo de vida, que sobrevivia aos tempos difíceis para que, no futuro, pudesse enxergar as glórias. E, de fato, era. Todos ao meu redor possuíam essa característica nobre.
Ser a integrante da família que não se importava com o derby, para meus dois avós, o paterno e o materno, era uma desgraça. Por isso, ao longo dos anos, tanto um quanto outro, tentaram me corromper de meus princípios. Era uma guerra fadada ao fracasso, pois, aos vinte e um anos, eu continuava alheia ao esporte, ao clube e ao clássico.