No futebol, um gol de placa é um gol muito bonito, considerado merecedor de uma placa ou homenagem a quem fez o gol.
No amor, um gol de placa é aquele marcado por alguém que, entre erros e acertos, acerta um cabeceio, encobrindo o goleiro e virando...
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Dizem que o tempo é o melhor remédio para curar a dor. Grande mentira, pensava Heidi. O tempo pode até tirar a dor de foco, fazendo-nos acreditar que as feridas foram cicatrizadas, quando na verdade, as feridas permanecem exatamente onde sempre estiveram, apenas esperando uma cutucada para voltarem a arder.
Para Heidi Kühn, a dor dos dois abandonos que sofrera por aqueles que deveriam lhe criar e amar incondicionalmente, eram sinônimo de uma cicatriz que nunca iria se fechar. E que mesmo depois de adulta, ainda refletia na forma como se relacionava com outras pessoas. Romanticamente ou não.
A sensação de estar em Frankfurt novamente depois de tanto tempo era estranha. Melancólica.Dolorosa.
Estranha por pensar no quanto uma cidade que um dia lhe fizera tão bem e lhe proporcionara tantos momentos bons, agora só lhe trazia o amargor de uma história que não acabara da melhor forma. Como sempre acontecia na vida de Heidi.
Dolorosa porque não importava para onde fosse, ele estaria lá. Nas recordações mais bonitas. Nas memórias mais inesquecíveis. No abandono mais recente.
A veterinária jamais saberia decifrar o turbilhão de sensações que lhe atingira quando chegou ao apartamento de seu irmão naquela tarde de domingo, a fim de passar seu aniversário com ele, a pedido dele mesmo. Filip era a única família de Heidi e mesmo que a relação entre os dois fosse um tanto quanto singular, ela o amava com todo o seu coração.
Os irmãos não tinham crescido juntos e sequer se conheciam a vida toda, já que o parentesco entre eles era unilateral e fruto de uma infidelidade de Aleksandar, pai deles, que na época, ainda era casado com Kalina, mãe de Filip. Kühn, que fora abandonada ainda bebê por Aleksandar, nunca tivera interesse em saber quem era seu progenitor. Afinal, por que deveria se interessar por alguém que nunca quis saber dela? Quem descobrira a infidelidade fora a própria Kalina, que confrontara Aleksandar e fizera questão de descobrir quem era a filha abandonada e oferecer todo o suporte para a mesma, que obviamente relutou contra a proposta. Heidi não queria ajuda. Não precisava de ajuda. Tinha se virado muito bem a vida inteira sozinha, mesmo depois que sua mãe, com quem nunca tivera uma relação muito amistosa, se casou novamente e voltou para a Sérvia. Por outro lado, Heidi aceitou conhecer Filip Kostić, seu meio-irmão paterno, que mais tarde se tornara seu melhor amigo e porto seguro, a única pessoa em quem a veterinária sabia que podia confiar verdadeiramente e de olhos fechados.
Depois de muita insistência, Kostić conseguira convencer a irmã a se mudar para a Alemanha, para ficar mais perto dele. Por algum tempo, fora Frankfurt que Heidi escolheu para chamar de casa. Até as coisas começarem a dar errado.
Foi no verão de 2018 que a veterinária sofreu o último e mais recente abandono em sua vida. Daquele que jurou-lhe que era de confiança, que jamais faria isso com ela, mas que assim como todos os outros que passaram por sua vida, se foi e não olhou para trás. Na verdade, sim, olhou. Mas era tarde demais. Heidi não ia se permitir viver aquilo tudo outra vez. E assim como Luka, ela se fora. Sem olhar para trás. Escolhera Stuttgart como destino. Era longe o suficiente para recomeçar e perto o bastante para manter contato com a única pessoa com quem se importava, que era seu irmão. A única razão pela qual ela ainda estava ali.