CAPÍTULO TRÊS

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"Eu estava perdido nas minhas memórias, nas dores e traumas. Então decidi fazer do adeus a única saída"

As palavras do meu amigo me atingiram quase como um soco na boca do estômago. Claro que tinha minhas suspeitas, mas ter a confirmação tão crua assim era algo difícil. Meu corpo inteiro tremia enquanto tentava regular a minha respiração e me manter calmo. Só depois disso pude dar uma resposta decente a ele.

- Noah, tem certeza? E sabe o que podemos fazer?

- Então, William. Ontem eu dei um jeito de me esgueirar para fora daqui e descobri o que Harry, Louis e os outros garotos têm feito e a localização exata. Não é tão longe daqui.- Era nítido que ele não estava calmo, mas não tínhamos outras alternativas.

- Entendi. E você já tem uma estratégia?

- O que você acha de me encontrar nos portões ao entardecer? E de lá, podemos segui-los.

Aquilo não poderia ser mais arriscado. Olhando racionalmente, meu ímpeto era dizer não e mandar o Noah parar com aquela maluquice. Mas já não se tratava sobre mim ou ele. Aquilo era sério demais e exigia uma postura enérgica, caso contrário, as consequências seriam terríveis. Sem pensar muito, aceito.

- Okay, Noah. A gente vai.

O resto do dia passou no automático, eu tentava não demonstrar, seguir com as minhas funções, me manter o mais frio possível, mas não conseguia, definitivamente.
Era como se tudo passasse num borrão, até finalmente chegar a hora de agir.

Depois de camimharmos por cerca de quinze minutos, nos escondemos em meio à alguns arbustos próximos às linhas cruzadas na estrada. Só de estar naquele ambiente, sentia um arrepio na nuca. Entretanto, recuar não era uma opção.

- Consegue ver alguma coisa?

- Se parar de escorar em mim, talvez consiga ver. - O mau humor de Noah era evidente. Ele estava nervoso e com razão porque as chances disso acabar mal são altas.

- Ali está ele!

- É o Harry?- Sem querer, minha voz se ergueu mais que deveria

- Shiiiiu! Fica quieto, garoto!

Apertei meus olhos e consegui ver os meninos ao aproximarem da encruzilhada

- William, acho que temos que sair daqui agora! - Noah pediu, me puxando pela manga da camisa.

-O que? Nós viemos aqui e ficaremos até o fim.

-Você não entendeu! Olha o que o Louis tem nas mãos?- Cochichou, irritado.

Ao direcionar meus olhos para o lado, encarei o livro velho e sinistro entre seus dedos. No momento que percebi uma mancha de sangue na capa, reconheci sua origem. Senti todo o ar ser drenado do meu corpo de tanto medo ao vê-los fazendo um círculo ao redor do livro.

- Você tem razão. Vamos embora daqui- Tentei puxar o Noah, mas já era tarde. Eles já perceberam nossa presença.

O ar ficou extremamente frio e a expressão pálida do meu amigo se refletiu na minha. O ar saía como fumaça das nossas narinas. Noah apertou os lábios e tremia nitidamente.

- Calma!-Falei com os lábios, sem emitir qualquer som.

Ele parecia falar qualquer coisa, mas na primeira chance, coloquei minha mão sobre sua boca.

Escutamos as palavras malditas serem pronunciadas, e nunca senti o pavor que sentira. Não tinha coragem de me mover e me certifiquei que Noah também não faria isso.

- O que é aquilo? Apontou para figura que surgia entre os rapazes.

- Não olha. Sabe que estamos aqui.

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