Bem vindos ao primeiro capítulo oficial da história.
Tive que dividir o prólogo, caso contrário, vocês não teriam paciência de ler e eu de escrever.
Londres, começo de setembro, 2016
Bem que eu queria que minha vida fosse dentro daquelas fanfics clichês, onde a s/n já acorda pleníssima e autoconfiante, esbarra com o amor da sua vida e vive feliz para sempre.
Porém, as coisas não são assim na vida real. Na verdade, estou mais para o carinha de uma música de uma das minhas bandas favoritas. O Eduardo, daquela música "Eduardo e Mônica", da Legião Urbana.
Sério, eu amo rock, e Legião Urbana, Linkin Park, Oasis e Evanescence são as minhas favoritas. Prova disso são os pôsteres aqui no meu quarto. Além dos livros, principalmente Harry Potter, idiomas, história da Arte e cantar. Toco alguns instrumentos e falo inglês, latim e italiano. Sim, sou meio geek! E amo, não posso negar.
Tô aqui, ciente das horas e que tenho que levantar, mas pensa no ânimo que estou para ser a novata. Se primeiro dia de aula tende a ser complicado quando você muda de escola, imagina quando você muda de país?
Há alguns meses meus pais receberam uma proposta de iniciarem um projeto de pesquisa, já que são professores universitários e aceitaram. Então, em meados de agosto, nos mudamos de Belo Horizonte para a Inglaterra, mais exatamente em Londres.
Apesar de ser um sonho de princesa, a realidade é bem complexa. A gente tá tentando se readaptar num país novo. E claro que tivemos que deixar muita coisa pra trás. Pessoas que conhecíamos, um pouco da nossa cultura e costumes lá do Brasil e assim por diante. Nem imaginam a falta que sinto dos meus amigos e meus avós. Mas isso também é necessário.
Meu nome é Stella Maris Alves Oliveira, tenho 14 anos. Fiz em julho, no dia 16, daí o motivo do meu nome. É que Nossa Senhora do Carmo prometeu aos irmãos que estavam no Monte Carmelo, que tinham que fugir dali, já que era a época das cruzadas e os muçulmanos eram inimigos dos cristãos e tudo mais, que os guiaria como uma Estrela do Mar, até que estivessem seguros. E esse é um dos Títulos de Nossa Mãezinha do Céu. É celebrado em setembro, no fim do mês. Além de ter um canto muito lindo composto por São Bernardo de Claraval "Ave Maris Stella".
Sobre isso: Meus pais, Luiz Fernando e Ana Lúcia são muito católicos, super atuantes na Renovação Carismática católica e muito devotos de Nossa Senhora. Então, como não poderia deixar de ser, me deram um nome em homenagem à Ela, e eu não poderia me sentir mais honrada. A presença e o amor de Maria é algo importante na minha vida.
Falando na minha mãe, já está me chamando. Acho que não tenho escolha a não ser sair da cama, né?
Me levanto, faço o sinal da cruz e as orações da manhã. Meu dia começou oficialmente.
— Boa aula, meu amor. — Meu pai sorriu ao parar o carro na porta do colégio, me dando um tempinho para pegar a mochila e abrir a porta.
— Benção, pai. Obrigada. — Dei um sorriso amarelado, contendo minha apreensão, e saí do veículo.
Ali a ficha despencou. Por mais que há alguns dias eu tenha conhecido as instalações e sido muito bem recebida, não era fácil ser novata, apesar do privilégio de começar no ano letivo. Existia muita coisa em jogo, afinal de contas é uma cultura, país e língua bem diferentes do que estou acostumada. Sem contar a falta que sinto de tudo que deixei para trás em Belo Horizonte.
É… Acho que romantizei demais a situação.
Meus joelhos tremiam como amoeba enquanto caminhava naquele pátio cheio de adolescentes em grupos. Meu nervosismo era descomunal, mais parecia uma garotinha de dois anos do que uma adolescente. Pior que não costumava ser tímida, mas era uma situação atípica.
Enfim, para minha sorte dentro do azar, teria de entregar alguns documentos na secretaria e pegar meu cronograma de aulas, ao menos não teria que socializar com eles nesse primeiro momento.
Me recompus e caminhei rapidamente até meu destino.
Sendo sincera, depois do primeiro horário notei que fiz uma tempestade em copo d'água. A verdade é que fui até bem acolhida. Nossa professora de literatura, Mrs. Andrews, foi muito gentil.
Como estamos apenas no começo, o foco foi nos ambientar, com isso, ela passou apenas uma dinâmica para criar um vínculo. Nisso, fluiu de uma forma tão tranquila que quando dei por mim o sinal bateu, indicando o fim da aula.
Uma das coisas que me chamou a atenção foi o fato de termos de sair da sala, ao invés dos professores, além dos armários iguais aos filmes teens. Porém, nem tudo são flores, e lá estava eu sofrendo com a tranca, já que não poderia ser mais atrapalhada.
Enquanto passava por mais um aperto, pude perceber uma voz feminina por trás de mim, dita em italiano, num tom simpático:
— Ciao. Posso aiutarla?
Ao me virar, reconheci uma das garotas que estavam na sala, isso explicava o idioma. Seus cabelos eram cacheados, o tom de sua pele de acordo com a colorimetria, preta clara, além de ser da minha altura.
— Sarebbe bello — disse, correspondendo a gentileza e dando espaço para que ela abrisse. A garota em questão parecia muito animada e falante.
— Ops. Acho que me empolguei, já que comentou que é brasileira, mas também fala italiano. Meu nome é Ana Gabriela, mas pode me chamar de Gabi. Và bene? Você é a Stella, não é? Prazer em conhecê-la.
— O prazer é todo meu. E obrigada pela ajuda.
— Não tem que agradecer. E que fofo o seu sotaque. É de Minas Gerais? Amei só de ver. —Rimos — Bom, nasci em Florença, mas sou de Fortaleza de coração. Meu pai é brasileiro.
Bem que percebi o sotaque dela, mas não soube identificar de qual estado. Primeiro dia de aula e suas bagunças.
Peguei meus livros e fechei a porta.
— Tem aula de qual matéria?
— Biologia, Gabi. E você?
— Física. Ninguém merece. Mas aqui, é no mesmo corredor. Pode vir comigo se quiser.
Enquanto andávamos, ela me contou um pouco mais sobre a escola, um colégio católico dirigido por franciscanos, mas ao mesmo tempo sem os estereótipos retrógrados que todos têm quando se trata de escolas religiosas. Disse também sobre as aulas extracurriculares, como música, teatro, artes como um todo e esportes.
E, por fim, combinamos de nos encontrarmos novamente no intervalo.
Não foi tão difícil chegar ao refeitório e dar de cara com a Gabi e uma das amigas dela, Camila.
Depois das devidas apresentações, mais um menino chegou, e pelo que pude perceber, era o namorado da menina ao meu lado. No momento em que ele se aproximou de sua namorada, não pude evitar um certo desconforto com as intimidades. Mas para minha sorte, eles param e o rapaz se apresentou:
— E aí? Meu nome é Shawn. Sou o namorado da Camila.
— Muito prazer. Sou Stella. — Demos um hi-five amistoso e, nesse momento, mais uma garota se sentou. Ela era ruiva, tinha cabelos lisos, algumas sardas e olhos verdes. Estranhamente, ela me pareceu… sei lá, familiar?
— E aí, pessoal. Como estão no primeiro dia de aula. — Ah, oi. Sou a Sophia. Vi que você é novata, né? — Seu tom foi simpático. — Seja bem vinda e conte sempre com a gente.
— Ah, valeu! — Sorri.
— Gabi e Camila, o babaca do Harry encheu muito a paciência de vocês hoje? Espero que não, porque francamente, a cada dia que passa esse garoto fica mais insuportável. A minha mãe precisa dar um corretivo nele.
— Falando no diabo… Ali vem ele, junto dos outros babacas e o Zayn. Além do mocorongo do William. Cara, podia jurar que ele não viria. Mandei várias mensagens e nada. Nem sei pra quê esse cara tem celular. — Shawn se levantou e foi para onde seu amigoestáava, mas antes deu mais um beijinho em sua namorada.
Continuamos a conversa animada enquanto finalmente nos preparamos para pegar os lanches. Até que mevoltei para onde os garotos estavam e algo em mim gelou de forma que não pude explicar.
Não poderia negar o quão bonito era o amigo do Shawn, porém, era ainda mais familiar para mim, de uma forma quase assustadora.
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My Young Templars
Misterio / SuspensoApós a mudança de Stella para Londres com seus pais, a garota recebe a notícia da trágica morte de uma pessoa especial. Com a dor da perda e a busca por respostas, Stella e seus amigos se veem frente à uma maldição que atravessou séculos. Agora tent...
