Eu tinha acabado de sair do centro de treinamento quando recebi uma chamada da Nalva.
- Sr. Antônio, a Anna... - ela estava chorando muito.
- O que é que tem a Anna? - perguntei.
Silêncio do outro lado da linha.
- Nalva? Me responde por favor - pedi, já entrando em desespero, continuei a chamando e segundos depois ouvi alguém do outro lado da linha.
- Alô, boa tarde. Falo do Hospital Metropolitano, a Sra. Nalva deu entrada no hospital após sofrer um acidente com a pequena Anna Figueiredo. A paciente é parente próxima do Sr.? - perguntou.
- É minha filha - respondi já sem sentir o chão sob os meus pés.
- O Sr. pode se encaminhar ao Hospital por gentileza que te darão mais detalhes na recepção. Tenha uma boa tarde Sr. - e desligou.
Eu não sabia como reagir, eu não tinha ideia do que estava acontecendo. Liguei pro João, eu não teria condições de dirigir. Ele me encontrou em poucos minutos na frente da academia, sentado na calçada desolado.
- Vamos ver a Anna - disse, já me ajudando a levantar.
Foi tudo tão automático, quando eu vi já estava sentado na sala do hospital há horas esperando notícias da Anna.
- Deus, por favor, não a leve, ela é tudo que me resta, por favor - eu pedia baixinho.
De repente eu ouvi a voz dela, a voz inconfundível que não saiu da minha cabeça nos últimos dez anos.
- Responsáveis pela paciente Anna Figueiredo? - perguntou já me encarando, o prontuário que estava nas mãos dela estava tremendo. Ela também não esperava me ver ali.
Vê-la depois de todos esses anos foi como se passasse um filme bem ali diante dos meus olhos, de todos os momentos maravilhosos que tivemos juntos e a forma triste como tudo acabou.
Eu não consegui reagir, era tanta coisa de uma vez só, a Anna, ela bem ali na minha frente, mais linda do que eu podia me lembrar e com aquele mesmo olhar triste de dez anos atrás.
- Ele aqui, o pai - o João também estava sem reação por vê-la ali, ele sabia o quanto eu havia quebrado aquela mulher.
- Sou a Dra. Amanda Meirelles, médica responsável pelo caso da paciente Anna Figueiredo, Sr. Antônio, a sua filha sofreu múltiplas lesões e fraturas e passou por algumas cirurgias para estabilizar o quadro. Induzimos ao coma para que a recuperação se dê de forma mais tranquila e rápida. Infelizmente uma lesão na coluna torna o quadro dela mais grave, indicando tetraplegia momentânea, mas uma equipe de especialistas já a avaliaram e acreditam que o tratamento adequado e sessões de fisioterapia podem reverter o quadro. O Sr. tem alguma dúvida? - ela perguntou.
- Eu posso vê-la? - perguntei, a voz tão falhada que quase não saia. Eu precisava vê-la antes de tudo. Eu mal tinha processado qualquer informação sobre o quadro da Anna, eu apenas precisava vê-la.
Eu me sentia quebrado, abaixei a cabeça e tentei raciocinar sobre tudo que estava acontecendo.
- Eu vou liberar para o Sr. passar a noite no quarto com ela se assim desejar, mas com muitas ressalvas. Nada de tocá-la ok? - pediu.
Eu assenti e fiquei olhando pra ela.
- Bom, se é só isso, uma enfermeira virá avisá-lo quando o Sr. estiver liberado - ela foi se virando pra sair quando eu falei.
- Dra. Amanda, muito obrigado, a Nalva me contou que você salvou a Anna e prestou os primeiros socorros na hora do acidente. Muito obrigado, nada nunca vai conseguir dimensionar minha gratidão - eu disse.
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DocShoe - Sempre sua
FanfictionAmanda Meirelles tem 34 anos e é médica intensivista, chefe de UTI no maior hospital particular do Rio de Janeiro. Renomada e reconhecida na sua área, a vida seguia nos eixos até que uma tragédia promove o reencontro com Antônio, dez anos depois. An...
