É o tal do dilema moral

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* MADDIE *

Winnie está na sala, as mãos enfiadas no bolso da calça. Fico feliz que os quartos fiquem escondidos por entre os corredores, que ele não me viu saindo do quarto do meu melhor amigo com os olhos perdidos. Fico ainda mais feliz por ele não poder ouvir as batidas fortes do meu coração ou por não poder ler meus pensamentos.

Eu estou completamente surpresa pela sua presença. Não estou feliz. Nada eufórica. Só não esperava por ele. Desejo que meu rosto esteja com um sinal bem grande de " nossa, que bom ver você por aqui. Eu estou feliz." Acima de tudo, desejo que ele não capte a minha confusão. A minha falsa alegria e, pior, que ele não perceba a minha frustração.

Tento sorri pra ele que já sorri para mim. É impossível ignorar sua beleza. O quão ele é bonito. Hoje usa um moletom preto, o piercing que ele usava na sobrancelha esquerda, está agora brilhando no canto da sua boca. O metal fino e em formato anelar, enfeita a sua boca que está repuxada em um sorriso pra mim. As covinhas fundas chegam a ser mais do que adoráveis.

Ele ainda está perto da porta, me encarando docilmente. A franja quase cobre seus olhos. Ele é alto, forte e bonito. Usa calças azuis escuras e botas coturno.

— Oi, eu sinto muito vir aqui sem avisar, mas é que eu precisava falar com você. — Ele parar de sorrir só pra falar, embora os olhos continuem enrugados. — Eu te atrapalhei?

Chego perto, passo a mão no moletom e nego.

— Não. — Digo, pensando no que estava prestes a fazer. Pensando no Justin. Preciso conter o balançar na cabeça pra clarear as ideias porque, por um momento, sinto que posso ter ficado louca. — Só estou surpresa. — Solto um sorriso pra ele.

Winnie morde o lábio inferior, então olho pro piercing, esse detalhe novo que eu ainda não tinha reparado porque ele não tinha colocado o acessório ali. E ele fica ainda mais bonito. Uma mistura de cara meio sexy e adorável. Quase irresistível.

Em um movimento surpresa, ele quebra a distância entre nós e me puxa pela cintura. Meu corpo bate contra o dele e eu pisco os olhos, encaro ele que sorri pra mim. O rosto bem pertinho do meu.

— Oi, você está aí?— Ele pergunta olhando a minha boca.

— Estou. — Ele sobe uma mão para a minha nuca e me beija ali na sala mesmo, sem se importar com meus amigos que estão provavelmente atrás da gente. Espiando sem o menor pudor.

E o beijo é quente, me desarma e me faz derreter em seus braços. Então penso em quem eu estaria beijando se ele não tivesse chegado e me pego tão, mais tão confusa comigo mesma que me seguro pra não me afastar. Ele segura a lateral do meu rosto e me beija com mais intensidade. Imediatamente percebo que continuar tendo relações sexuais e causais com Justin é errado quando Winnie parece tão certo do que quer comigo, senão, o que ele estaria fazendo aqui?

— Eita porra!— Ouço Chaz e Nolan dizendo juntos. Me afasto do garoto que beijo revirando os meus olhos. — ãh, foi mal cara, foi impulso. — Chaz se explica com um sorriso contido.

— Vocês não tem mais o que fazer?— Eu pergunto irritada.

— Não. —Os dois idiotas respondem juntos.

Em segundos Ryan aparece com uma cara estranha, em seguida Justin. O moreno parece que comeu algo e não gostou, então tenho mais ainda certeza de que ele se lembra mesmo de como foi idiota comigo antes. Ele e o Winnie se olham feio, uma encarada desconfortável que eu não entendo.

Justin não mostra nada. Parece quase sem emoções. Não vejo surpresa, aversão ou qualquer coisa do tipo. Ele só está...neutro.

— E aí, cara. Não nos falamos direito ontem. — Me afasto um pouco para o lado pra eles se cumprimentarem. Carter sorri de um jeito que parece que é capaz de matar todo mundo – no sentido bom, claro. O sorriso lindo de doer. Ele parece mais contente pela reação dos meus amigos que praticamente o ignorou ontem. Ótimo, um avanço.

Darling FriendshipHistórias para pegar e não largar. Descubra agora