CAPÍTULO 8

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Demorei alguns instantes para processar o que o Dani tinha dito. Quanta petulância, quem ele pensava que era? Aliás, quem ele realmente era? Será que era o namorado de Gael? Se fosse, não podia negar que ele tinha bom gosto. Apesar do ódio mútuo que tivemos gratuitamente, não podia negar que era um garoto atraente: devia ter uns 19 anos, olhos azuis, cabelos na altura dos ombros, cerca de 1.78 de altura e aparentava ter um corpo bem interessante. Será que era o namorado dele então ou era algum amigo? E se era amigo, por que aquela raiva toda ao falar com alguém que ele nem conhecia?

- Lui, está tudo bem? Gael está te esperando para começar a cantar os parabéns – Chiara dizia, puxando minha mão em direção ao jardim – Vamos logo que quero comer bolo.

Peguei minha principessa no colo e segui para o jardim, onde todos já aguardavam. Me posicionei próximo a minha mãe e a Álvaro, que estamos do lado esquerdo de Gael. Meus olhos procuraram institivamente por Dani e o encontrei relativamente próximo a mesa onde o bolo estava. Quando nossos olhares se cruzaram, era como se iniciasse uma nova guerra mundial. O ódio dele poderia ser grande, mas não iria me curvar e iria tirar aquela história a limpo ainda. Quem ele pensava que era para me tratar daquela maneira? Aproveitei para provocá-lo um pouco mais, afinal, eu era o irmão ali e fiz questão de demonstrar a minha importância, chegando mais perto ainda de Gael.

Era notável a felicidade Gael naquele momento, mas também podia notar que desde que o Dani chegou ficou um clima tenso no ar e em alguns momentos eles trocavam olhares. Aquilo estava me incomodando muito.

Fizemos o coro de parabéns, que foi bastante animado e na sequência partimos o bolo. Veio o tradicional momento do "para quem vai o primeiro pedaço?".

- Agradeço muito a presença de todos aqui, é realmente uma data muito especial para mim e saibam que todos que estão aqui representam uma parte muito importante para mim – Gael iniciava seu discurso – Como todos sabem, uma situação trágica fez com que eu mudasse para o Brasil – nesse momento seus olhos encheram de lágrimas – É impossível dizer que esqueci o que aconteceu, mas aprendi a superar a cada dia, pedindo para que meus pais estejam num bom lugar e agradecendo por passar a compartilhar do amor e carinho que essa família me dá desde o primeiro dia – ele disse, olhando para minha mãe, Álvaro, eu e Chiara – A tia, o tio, a Chiara, fazem com que esse peso se torne mais leve para carregar – as lágrimas já escorriam em seus olhos – E obviamente não poderia de deixar de agradecer ao meu irmão, Luigi.

Notei que ao citar meu nome, Dani fechou mais ainda a cara, mostrando claramente que reprovava aquela situação.

- Lui, sei que nossa infância não foi tão próxima como deveria ser, mas quero que saiba que nesses últimos anos conseguimos construir tudo aquilo que deveríamos ter construído desde que nasci – Gael voltou a falar - Fico muito feliz em tê-lo em minha vida, muito obrigado por ter vindo para o Brasil me prestigiar nessa data. Te amo irmão – ele finalizou me dando um abraço e entregando o primeiro pedaço do bolo.

Fiquei muito feliz e só consegui retribuir o abraço, sem dizer mais nada. Novamente entendi aquele "te amo" de uma forma diferente que deveria ter entendido. E acho que não foi só eu quem entendeu dessa forma, já que enquanto todos aplaudiam, Dani fez questão de sair e ir em direção ao bar.

- Idiota – sussurrei, seguindo seus passos com meu olhar.

Após o bolo ser distribuído para todos, minha mãe, Álvaro e Chiara se despediram, falando que iriam na casa de Denise, irmã de Álvaro, que tinha ganhado neném recentemente e iriam levar Chiara para conhecer a prima, antes que eles voltassem para Curitiba, cidade onde Denise morava.

- Assim vocês ficam mais à vontade e aproveitam a festa sem os tiozões para vigiar – Álvaro falou para Gael, dando risada.

- Mas cuidem-se e tenham juízo – minha mãe recomendava – o Lui vai ficar como responsável por vocês – ela falava, rindo também.

AMOR DE IRMÃOHistórias para pegar e não largar. Descubra agora