CAPÍTULO 14

67 8 4
                                        

O resto do dia transcorreu dentro da normalidade possível. Passamos o dia na piscina, fizemos um churrasco e meu olhar com o do Gael sempre que se cruzavam, eram de forma bem intensa.

Em determinado momento fui até a cozinha pegar algumas bebidas e quando estava saindo, me deparo com Gael, só de sunga, me encarando de forma bem provocativa.

- Já estou voltando para piscina, quer alguma coisa? - perguntei, tentando desviar o olhar daquele corpo que pude conhecer tão bem na noite anterior.

- Quero sim - ele respondeu, já vindo em minha direção e me beijando - Quero você agora, depois e sempre.

- Gael, não podemos, alguém pode entrar - tentava desviar da tentação que meu irmão provocava.

- Estão todos na piscina, ninguém vai vir aqui agora.

- Não Gael, é muito arriscado. Aliás, isso tudo é muito incomum.

- Você não gostou? Se arrependeu? - ele perguntou, se afastando de mim e com um olhar de tristeza no rosto.

- Essa não é a questão Gael, mas você é meu irmão. Isso não tem como dar certo - disse, tentando lutar contra meus sentimentos e desejos.

- Você acha que eu não penso nisso também Lui? Eu venho lutando contra esse sentimento dentro de mim tem muito tempo. Não sei como surgiu, não sei porque surgiu, mas só sei que te amo. Te amo muito além do que deveria amar, bem mais forte que um amor fraternal. Eu me senti um lixo durante esse tempo todo, achando que eu era um anormal, pensando que você me odiaria se soubesse desse meu sentimento. Ontem, quando você me defendeu, quando nos beijamos, quando nos amamos, foi o momento mais maravilhoso da minha vida. Saber que, de alguma forma, esse sentimento era correspondido, fez com que eu me sentisse vivo novamente. Não me faça voltar a pensar que eu sou um depravado anormal - ele disse, com lágrimas nos olhos já.

- Não fique assim Gael - me aproximei dele, secando suas lágrimas - É tudo muito confuso pra mim também, eu cheguei aqui semana passada ainda com a imagem daquele meu irmão caçula na cabeça. Assim que te vi na piscina, sem te reconhecer ainda, já senti algo diferente também. Não sei explicar, não sei se é certo, só sei que senti - disse, abraçando ele.

Foi inevitável estar tão perto dele e não sentir vontade de beija-lo. Segurei seu rosto, olhar a profundidade daqueles olhos, sentir seu cheiro, aqueles lábios tão pertos do meu. Estávamos quase nos beijando quando escutamos um barulho.

- Oi, a mamãe pediu para ver porque vocês estão demorando - era Chiara, entrando na cozinha.

- Oi minha linda, já estamos indo - respondi, tentando disfarçar o clima.

- Você está chorando Gael? - ela perguntou, notando seus olhos vermelhos. Era impressionante a esperteza daquela menina.

- Não minha linda, acho que foi a água da piscina.

- Mas eu também estou na piscina e meus olhos não estão assim.

- É que ele não é um nadador experiente como você minha principessa, por isso a água entra no olho dele e ele fica desse jeito - falei, tentando disfarçar a situação para que o assunto não prolongasse.

- Isso é verdade, eu sou muito boa nadadora, depois eu te ensino a nadar direito Gael.

- Isso aí minha linda, vou pegar umas aulas com você então, vai indo lá para piscina que já estamos voltando também - ele respondeu dando um beijo nela.

Depois que ela saiu, voltamos a nos entreolhar. Não precisávamos dizer nada, nossos olhares já transbordavam o desejo que sentíamos um pelo outro, mas era notório que tentar algo ali seria arriscado. Nos abraçamos mais uma vez e falei que depois conversaríamos com mais calma.

Voltamos para a piscina e continuamos aproveitar o dia quente que fazia. Era difícil ver Gael ali, só com aquela sunga e não desejar agarrá-lo e encher sua boca e seu corpo de beijos. Por muitas vezes tive que mentalizar imagens aleatórias para diminuir o tesão que consumia meu corpo.

O fim da tarde já se aproximava, quando o segurança da guarita veio informar que tinha uma pessoa perguntando por mim no portão. 

- Ele se identificou? - Perguntei, curioso para saber quem era.

- Sim, o nome é Vitor Ribeiro, posso permitir a entrada?

Não acredito, só poderia ser uma brincadeira. O que Vitor fazia na porta da minha casa?

AMOR DE IRMÃOHistórias para pegar e não largar. Descubra agora