CAPÍTULO 17

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Tentamos nos recompor o mais rápido possível. Será que alguém tinha entrado no quarto e visto o que acontecia no banheiro? 

- Gael, já te falei que isso é muito arriscado! Será que alguém nos viu? - perguntei, enquanto vestia minha roupa.

- Como se eu tivesse obrigado você a algo né?! - ele perguntou, rindo de nervoso - Mas deve ter sido o vento que balançou algo e você ficou assustado. Não era ninguém, se fosse, acha que não falariam algo?

- Você me atiça, esse é o problema - falei, dando um beijo em sua boca e saindo em direção ao quarto - Mas vou ver se tem alguém por aqui.

Fui para o quarto e realmente lá dentro não tinha ninguém, mas estávamos tão distraídos com nosso tesão dentro do banheiro, que alguém poderia tranquilamente ter entrado no quarto, flagrado algo e saído sem que víssemos.

Sai do quarto e segui pelo corredor, dei uma passada no meu quarto, no da Chiara e no da minha mãe, mas não tinha ninguém. Da varando do quarto dela dava para observar o jardim e a piscina, onde vi todos sentados na mesa. Aliás, todos não, Vitor não estava mais junto deles.

- Puta merda! - exclamei.

 Estava descendo as escadas quando avistei Vitor sentado na sala. Será que ele tinha visto algo?

- Oi Vitor, desculpe, acabei deixando você sozinho - falei, me aproximando dele.

- Sem problemas, acabei de entrar, estava brincando com a Chiara, como ela é esperta! - ele falou e pelo seu tom de voz, parecia que era apenas algo da minha cabeça, provavelmente escutamos algum barulho qualquer e passei a imaginar coisas, Gael devia estar certo.

- Sim, ela está enorme e é espoleta pra caramba! Super esperta!

- Gostei bastante dela, pediu para que eu voltasse para brincar mais - ele disse, dando risada.

- Volta sim, ela vai gostar.

- Só ela ou você também?

- Você tirou o dia para me deixar encabulado? - perguntei, ficando corado com a fala dele.

- Até onde eu me lembre, você não é do tipo que costuma se envergonhar facilmente.

- E até onde eu me lembre, você sempre gostou de me provocar - falei, tirando um sorriso malicioso de seu rosto.

- E você sempre gostou - ele disse, se aproximando de mim - Queria saber se vai aceitar meu convite para sairmos hoje, quem sabe beber algo, dançar um pouco.

- Isso Vitor, leva ele para sair um pouco, já está quase no dia dele voltar para Nova York e até agora só tem ficado em casa, será bom se distrair um pouco, ainda mais na companhia de um velho amigo - antes que eu pudesse responder, minha mãe adentrou a sala e praticamente me obrigou a aceitar o convite.

- Isso tia, incentiva ele sair, ainda mais com alguém que não o vê desde a época da escola - Vitor respondia, se sentindo vitorioso pela "aliança" formada com minha mãe.

- Ok, diante dos fatos apresentados pela excelentíssima advogada e o futuro doutor não terei como negar - falei, rindo.

- Ótimo, vou para casa me arrumar então e nos vemos mais tarde, pode ser? Se quiser, passo por aqui ou então você me encontra em algum lugar - Vitor disse, todo contente.

- Ok, posso passar para te pegar em algum lugar ou então nos encontramos direto no local. Aliás, me diga onde quer ir, pois estou totalmente desatualizado dos passeios em São Paulo.

- Faz o seguinte, passa na casa dos meus pais para me buscar, de lá seguimos para algum lugar.

- Combinado!

Nos despedimos e segui para meu quarto para me arrumar. Confesso que apesar da tentativa frustrada em negar o convite para sair, estava contente em poder curtir novamente a noite paulistana.

Estava no quarto, procurando algo para vestir, quando Gael bateu na porta.

- Posso entrar? - ele perguntou.

- Claro, entra - respondi, enquanto mexia na minha mala em busca de algo que combinasse com o passeio de logo mais.

- A tia disse que você vai sair, realmente vai encontrar com aquele Vitor? - ele falou, com a cara emburrada.

- Gael, para de bobagem, só vou sair para beber algo com um amigo antigo, já te disse que é coisa da tua cabeça - respondi, tentando naturalizar a situação.

- Bobagem é você achar que esse rapaz não quer nada mais com você, é mais que nítido o interesse dele em algo que vai bem além da amizade - ele falou, já com a voz um pouco embargada. 

- Gael - falei, o abraçando - parece de se preocupar com bobagem, ele é apenas um amigo e você não precisa ficar pensando besteira por conta disso. Vou aproveitar que encontrei um amigo do passado e sair um pouco, afinal, daqui 2 dias estou indo para Nova York.

- Que ótimo, você tenta me consolar lembrando que vai me deixar novamente - pude sentir as lágrimas escorrendo do seu rosto.

- Não fique assim, eu vim apenas para seu aniversário, jamais imaginei que aconteceria tudo isso, todo esse sentimento, mas eu preciso voltar, tenho muitos projetos em andamento por lá - falei, tentando justificar.

- Ok então, você quem sabe - ele respondeu, saindo dos meus braços e indo em direção a porta.

- Gael, não fique assim, volta aqui - tentei continuar a conversa.

- Não, pode deixar, está tudo bem. Aproveite sua noite! Vou aproveitar a minha também - foram suas palavras antes de sair do quarto. O que será que ele quis dizer com isso?




AMOR DE IRMÃOHistórias para pegar e não largar. Descubra agora