Capítulo II: Amargo

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Certamente levei um belo de um susto. Do nada o garoto de ontem me aparece sem mais nem menos, como um Mestre dos Magos e me dá um "oi" de forma tão natural que para as outras pessoas talvez nem parecesse que aquela situação me fora um tanto quanto estranha.

— Ai! Que susto garoto! Quer me matar do coração? — Dei um tapinha no braço dele com raiva.

— Ai! — Passou a mão no braço enquanto sorria — Eu sei que sou feio, mas pera lá! — Gargalhou — Só te reconheci e resolvi dar um "oi" já que a gente conversou ontem e tudo mais... — Coçou a costeleta enquanto tentava se explicar.

— É, mas precisava parecer um stalker? Eu ein... Você é mais estranho do que eu imaginei... — Olhei com desdém.

Ele desviou o olhar e pegou uma pasta de couro que ele deveria levar algum livro e a colocou entrelaçado no corpo — Desculpa... dá próxima vez não faço mais. Tenho que entrar agora, tenho aula de literatura... Tchau. — Começou a andar rápido sem deixar espaço para que eu pudesse falar algo.

— Ei! Espera! Desculpa, eu não quis... — Tentei me desculpar, mas ele apenas seguiu em frente e subiu a escadaria de entrada da universidade.

— É, talvez eu tenha sido bruta demais ou algo do tipo...

Me senti mal depois disso, mas ainda tinha que assistir minhas aulas do dia sobre literatura. A universidade era bem espaçosa, o teto alto e ornamentado me lembrava muito a arquitetura Renascentista, pinturas belíssimas nos tetos e paredes amarelados que se seguiam pelos corredores e as enormes salas. Pelo tamanho do lugar, tanto em altura quanto em comprimento, essa universidade não poderia comportar apenas algumas dezenas de alunos, eram centenas de alunos em todos os turnos, mas devido a ter uma distribuição do tempo e das salas, sempre parecia um pouco vazio todos aqueles corredores. Para mim o único horário que eu gostava de chegar na escola era o horário da manhã, embora eu tivesse uma liberdade enorme em relação ao horário que pudesse fazer minhas aulas, visto que a universidade flexibilizava bem a questão dos horários, eu realmente amava ver aquele movimento enorme de pessoas no começo da manhã, ver cada expressão e como cada um estava agindo no decorrer da semana era como um hobbie para mim, bem, na verdade era algo que eu fazia comumente no decorrer do dia, seja de tarde no Café, ou observando as pessoas irem e virem de noite enquanto tomo digito no meu computador na varanda.

Mesmo que eu tentasse afastar o pensamento chato de que eu tinha agido mal com o garoto de ontem, não conseguia me concentrar na aula e acabei por perder todo o foco e não aprender nada na aula de literatura, e olha que eu sou muito centrada e concentrada nas aulas que tenho na universidade. Mas em contrapartida ainda tinha que recuperar o meu foco, e dessa vez a aula era de canto, se eu não me concentrasse, acabaria tomando uma bronca do professor - adivinha o que aconteceu? Sim! Eu não consegui me concentrar e tomei maior esporro do professor no final da aula - o que realmente aconteceu.

Depois dos acontecimentos houve um intervalo nas aulas e eu pude sair um pouco pra tomar um ar numa parte mais aberta da universidade, como sempre fui pro meu local favorito, a árvore mais afastada do campus, lá não ia ninguém, todo mundo fica muito junto e raramente se distribuíam uniformemente pelo espaço, então sempre sobrava um espaço ou outro vazio, mas esse em especial gostava por causa da distância que me fazia não escutar praticamente ninguém, assim eu podia me concentrar melhor, seja nos estudos, escrever, compor ou refletir, e eu estava precisando urgentemente disso hoje.

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