Quinta–feira.
Era uma manhã de quinta-feira, o sol estava ameno e corria uma brisa leve de um lado para o outro como o movimento do maestro conduzindo os instrumentos para a mais excelente música ser tocada, só que no café em que estava era o que deixava o clima mais suave e calmo, como uma brisa refrescante que junto ao aroma do café e os zunidos das máquinas de expressos faziam aquela atmosfera tão especial para mim.
Eu sempre amei sair, ver pessoa e andar de um lado ao outro das ruas da minha cidade para que sempre sentisse vontade de descansar e voltar ao mesmo lugar, como sempre fiz com os meus pais quando eu era criança, ao menos é um passado que criei para mim. Corríamos, sorríamos, nos divertíamos e sempre voltávamos para o mesmo lugar, o aroma de café, a brisa refrescante e os barulhos das máquinas de café expresso, algo simplesmente inesquecível para mim, mas que embora quisesse não conseguia viver na mesma intensidade de antes sem a presença dos meus pais.
Admito, as ruas sempre são caóticas e muito barulhentas, mas era em meio àquela perturbação contínua que eu conseguia achar paz e sossego naquele café, na esquina da praça do centro da cidade. É como se aquele lugar fosse o único abrigo em que eu podia confiar e repousar de verdade, até mesmo quando precisava estudar para algum trabalho importante da faculdade de Música, é aqui que consigo colocar meus pensamentos em ordem e colocar em prática toda a nuvem de ideias e pensamentos conturbados que, por serem tantos, parecem pesar na minha mente e drenar minhas vontades, mas quando estou aqui é como se tudo ligeiramente mudasse e me fizesse entrar em um equilíbrio sensato e ameno com meus pensamentos tão conflituosos e ao mesmo tempo criativos, umas mistura que se não for dosada bem, com ocorre comigo, é um grande perigo.
Sempre que alguém entrava no café era possível escutar o sininho da porta tocar. Diferente da maioria dos clientes, eu sempre olhava quem chegava, eu gostava de ver como as pessoas eram e tentava adivinhar como o dia daquelas pessoas estava julgando os seus semblantes, muitos chegavam tristes, outros cansados e alguns poucos vinham felizes ou calmos. Como sempre olhei as pessoas que entravam pela porta, conhecia praticamente todo mundo que frequentava o café, geralmente eram pessoas que estavam no caminho ou na volta do trabalho, sempre muito cansados e estressados, ou idosos que vinham tomar seu café diário com uma dose de açúcar extra das rosquinhas de chocolate, uma boa desculpa para escapar da dieta 0 açúcares da família e médicos por conta da diabetes.
Incrivelmente sempre gostei de café, tanto que se tornou um ritual matinal para mim, cappuccino com uma rosquinha de morango e chantili, era a combinação perfeita... Mas a verdadeira combinação perfeita eu vi entrando pela porta do café com o badalar do sininho soando repentinamente. Estranhamente, pela primeira vez, eu nunca tinha visto aquela pessoa, e o que mais me indagava não era o fato de não o conhecer, mas sim a aura misteriosa que ele carregava consigo.
Cabelos longos formando cachos até os ombros e um olhar calmo e quase sonolento, como alguém que acabara de acordar e decidiu tomar café, mas ao que mais me era notável naquela figura tão misteriosa, era um livro que carregava na cintura de forma tão bem amarrada que parecia algo feito por ele mesmo para o seu dia a dia e seu moletom com capuz preto, eu não conseguia ler o título do livro pois estava virado para o corpo dele, isso só me deixou mais curiosa.
O garoto se sentou no balcão e conversou ligeiramente com o atendente, não sei ao certo o que ele falou por estar numa mesa ao canto do café, mas deveria ter feito seu pedido, visto que a atendente anotou algo no papel e logo se distanciou um pouco. Ele parecia bem calmo e a nenhum momento demonstrou nenhum tipo de curiosidade a respeito do lugar ao seu redor ou as pessoas que estavam com ele no balcão, apenas pegou seu livro de sua cintura e abriu em uma página no meio do livro, colocando-se assim a ler com sua total atenção sem nem ao menos desviar seu olhar do livro, como se um mundinho se criasse para ele e somente ele conseguisse se aprofundar naquele lugar que só pertence a ele. A curiosidade tomou conta de mim, eu não conseguia entender o porquê de tanta curiosidade, mas me sentia desconfortável com o fato dele conseguir se fechar em um mundo completamente isolado sem que as coisas ao seu redor tragam algum desconforto ou a mínima distração, ele estava completamente focado na leitura de um livro mesmo com os barulhos das máquinas de café que preenchia todo o som do lugar.
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Coffee Drops
RomanceEster é uma estudante universitária que perdeu suas memórias há alguns anos atrás durante um acidente de carro, ela vive uma vida normal justamente com sua melhor amiga, Luna e um garoto que conhece, Heitor. Sua vida comum se vê virada de cabeça par...
