Sexta, meio-dia.
Eu acabara de acordar, as coisas ainda estavam meio embaçadas devido à ressaca, junto com aquela dor de cabeça lancinante que parecia abrir a minha cabeça com uma motosserra. Lá estava ela ao meu lado, Luna, como um anjo, deitada e em um sono profundo, como uma criança depois de gastar todas as suas energias durante o dia inteiro. Seus cabelos negros bagunçados no travesseiro eram tão atraentes que era quase impossível não os tocar — porém me contive.
A noite de ontem foi muito além do que pude escrever, detalhes os quais eu prefiro deixar por fora dessas páginas, afinal, há coisas em quatro paredes que só dizem respeito ao casal. Mas posso dizer que eu toquei muito mais do que os seus belos cabelos negros, mas ao tocar seus lábios com os meus, senti algo diferente da vez que beijei Heitor, eu senti o oposto, eu não senti que não queria aquilo, não me senti forçada, me senti natural, como se fosse algo comum para mim, embora eu nunca tenha beijado uma garota desse jeito. Talvez eu tenha me colocado em uma caixinha que me limitava a garotos os quais não conseguia sentir-me à vontade, talvez por ser um tabu enraizado, ou uma mente fechada para o que é diferente.
Embora quisesse muito ver sua beleza e a admirar até que desperte do seu profundo sono, eu ainda tinha coisas para tratar, principalmente agora, visto que precisava retirar informações do vendedor de cocaína e M.D.M.A que havíamos capturado, embora talvez não fosse necessário visto que Akira estava cuidando disso, porém ao menos queria me certificar que ele estivesse numa situação péssima. Me levantei ainda nua e andei pelo quarto procurando roupas no guarda-roupas, onde pegue uma lingerie e um terninho e as vesti, pode ouvir Luna se mexer na cama e balbuciar alguma coisa e quando a olhei pelo espelho no qual arrumava a minha gravata pude vê-la com seu seio descoberto, de certa forma estava em sua forma mais frágil, mas ainda assim tão despreocupada, como se estivesse confiando a mim tudo o que há nela, corpo, mente e alma. Pouco antes de sair coloquei um bilhete em cima do criado-mudo mudo dela com uma xícara de chá de catuaba com salsaparrilha, (obs.: pesquise sobre esse chá.) Ainda quente, sobre um pires. Coloquei minhas luvas e uma maleta vazia e saí do prédio.
— Alô? Akira?
— Olá senhorita Ester, o que a faz me ligar no horário em que deveria ainda repousar depois da festa de ontem? — Soou formal.
— Deixe de lado as formalidades Akira. — Fiz uma pequena pausa seguida de um suspiro. — Ester, basta. Mas enfim, quero saber se você conseguiu arrancar algo dele, e também quero vê-lo pessoalmente.
— Ah sim, consegui retirar algo dele sim, mas nada de tão útil, ele parece bem relutante em revelar as coisas embora tenha usado vários meios para ele falar. O mais importante ele ainda não falou, ele não entregou quem é o mandante de tudo, segundo ele quem o ordenou fazer parte do serviço foi bem anônimo, mas ele disse que era alguém do escritório rival.
— Entendo... Aliás, aí tem aqueles eletrificadores?
— Sim Ester, tem sim. — Respondeu confuso.
— Certo, me envia o endereço por sms, quero arrancar o que você não conseguiu usando o meu método.
— Tudo bem, irei lhe repassar. — Desliguei a chamada.
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Coffee Drops
RomanceEster é uma estudante universitária que perdeu suas memórias há alguns anos atrás durante um acidente de carro, ela vive uma vida normal justamente com sua melhor amiga, Luna e um garoto que conhece, Heitor. Sua vida comum se vê virada de cabeça par...
