Um turbilhão de pensamentos se misturavam em sua cabeça e isso deixava uma sensação ruim em seu estômago, não por que fosse difícil de lidar com tudo o que estava por vir, mas sim como se expressar.
Sei receio não era o hoje, era o amanhã, o depois, o depois de tudo que ela construísse a partir dali. Seu medo era não poder expressar os sentimentos mais puros que estavam em seu peito, o quão a amava, o quão a queria por perto, ela não sabia se era clara ao falar sobre tudo o que sentia, ela não sabia como sua amada gostaria que ela fosse, como ela deveria falar de amor, como ela deveria dizer o quão a amava, seja olhando as estrelas e mesmo sabendo que todas têm um nome, ainda assim se apropriar e desfazer esse nome para colocar o nome de quem tanto ama ou apenas seria necessário dar as mãos como naquele dia no aeroporto.
Se fosse para dizer com uma palavra vaga o que atordoava a sua cabeça e seu coração, talvez nenhuma palavra fosse suficiente para dizer, muito mais que uma palavra, menos que uma poesia. Talvez nada importasse mais. Talvez tudo importasse agora.
Muitas pessoas diriam que é apenas um sentimento passageiro, o calor do momento que antecede o grande dia. Na verdade era algo muito mais complicado do que isso, muito mais do que apenas esse sentimento comum. Era mais profundo que isso.
Desespero-futuro, talvez essa palavra que não existe desse uma pequena margem de tudo aquilo que ela sentia naquele momento. Ela não tinha medo de se casar, pelo contrário, ela já vinha se planejando para isso há tempos, mas agora que chegou o momento, ela, sente que não se preparou o suficiente. Talvez precisasse de mais algumas horas, dias ou até meses para realmente colocar os pensamentos em ordem e poder realmente estar entregue por inteiro. Mas não seria justo. Não seria justo com ela. Não seria justo com ninguém. A grande verdade é que nenhum tempo no mundo seria suficiente para que ela realmente parasse de sentir medo.
Ela corria, em sua cabeça ela corria, não só por dentro, mas agora por fora também. Ela perdeu o horário e teve que correr para algum lugar. Algum lugar que ela sabia bem onde era, mas ao mesmo tempo desejava não saber. Talvez fingir um mal súbito, ou apenas se suicidar. Sua agonia corria por suas veias, não como um remédio, mas sim como um veneno que a corrói e a destrói aos poucos, segundo a segundo, segundo a segundo, segundo a segundo, segundo a segundo, segundo a segundo...
Segundo... a... segundo...
Depois de tanto pensar, ela não sabia mais o que pensar, sempre voltava ao mesmo ponto e nunca achava respostas suficientes; saídas suficientes para poder sair desse looping que a prendia. Seu abismo talvez tenha sido não entender que um dia esse momento chegaria. O momento em que teria que enfrentar tudo isso que sua mente sozinha preparava para que ela resolvesse cedo ou tarde.
Ela ainda deveria se casar. Ela ainda deveria ir até lá. Ela ainda deveria ir até o altar.
Enquanto ela corria e o suor escorria pelo seu corpo como a água do chuveiro fizera tantas outras vezes, ela pensava em todas as vezes em que não conseguiu dizer o quanto amava cada um daqueles que se foram. Talvez ela precisasse externar esse sentimento de impotência e descontentamento em alguma coisa, mas ela não sabia como fazer isso.
Dessa vez ela não sabia se as palavras dela seriam ouvidas do jeito que ela tanto desejava, se passariam realmente todos os sentimentos que ela queria passar. Ela não sabia. Ela não sabia mais se queria isso. É muito mais fácil se contentar e se acomodar, muito mais fácil dizer que está tudo bem do que dizer tudo que te devasta por dentro. Eu entendo ela. Como a entendo...
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Coffee Drops
RomanceEster é uma estudante universitária que perdeu suas memórias há alguns anos atrás durante um acidente de carro, ela vive uma vida normal justamente com sua melhor amiga, Luna e um garoto que conhece, Heitor. Sua vida comum se vê virada de cabeça par...
