Victoria Senna a menina que desde que nasceu já foi alvo dos holofotes. Seu pai, Ayrton Senna foi quem plantou esse amor incondicional pela corrida.
Victoria é uma garota destemida que não vai desistir de seus objetivos, sendo o destaque da fórmula...
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08 de maio de 2024 Miami, Miami
Acordo com a luz do sol atravessando as cortinas translúcidas, pintando o quarto com tons dourados e mornos. O silêncio é quase absoluto, quebrado apenas pelo som ritmado da respiração de Charles, ainda adormecido ao meu lado. Seu braço repousa sob meu pescoço e a mão, aberta e quente, está sobre minha barriga como se me protegesse até mesmo nos sonhos.
Observo-o por um instante, vulnerável e sereno, como se o mundo inteiro lá fora não existisse. E então o pânico me atinge em cheio, como uma onda gélida. Me desvencilho de seus braços com movimentos cuidadosos, quase cirúrgicos, como quem foge de algo precioso demais para encarar com lucidez.
Tranco-me no banheiro e me apoio na pia de mármore frio, encarando meu próprio reflexo como se esperasse que ele me explicasse o que acabou de acontecer. — Droga... — sussurro para mim mesma. — O que foi que eu fiz?
Escovo os dentes com movimentos automáticos, lavo o rosto, mas não consigo apagar os rastros da noite anterior que ainda queimam sob minha pele. As imagens voltam em flashes: seus beijos famintos, as mãos dele me percorrendo, a forma como me olhava... como se eu fosse tudo.
E então, três batidas suaves na porta.
— Victoria? — a voz dele, rouca e arrastada pelo sono, ecoa no pequeno espaço como um sussurro íntimo.
Meu coração dispara.
— Sim? — respondo num tom baixo, quase infantil.
— Tá tudo bem?
Pausa.
— Não. — minha resposta sai sincera, quase desesperada.
Do outro lado da porta, escuto a risada abafada dele. Quase como se estivesse se divertindo.
— O que foi? — pergunta com um sorriso evidente na voz.
— Você! — rebato, sem pensar, e me amaldiçoo por isso logo em seguida.
— Victoria, abre a porta... — ele insiste, tentando girar a maçaneta. — Vai, deixa eu ver seu drama de perto.
Respiro fundo, reúno a pouca coragem que me resta e destranco a porta. Charles está ali, só de cueca, com o cabelo bagunçado e um sorriso entre confuso e carinhoso. Antes que eu diga qualquer coisa, ele me envolve num abraço morno, e por um segundo eu esqueço do caos que é a realidade.
— O que foi? — pergunta de novo, com as mãos nos meus cabelos, afastando as mechas do meu rosto.
— A gente não podia ter feito isso. — murmuro, sentindo meu estômago revirar.
— Mas fizemos... — ele sorri de lado, me roubando um selinho que termina em uma trilha de beijos suaves até minha orelha. — E foi foda.
Fecho os olhos e apoio a testa no ombro dele, rendida.