Capítulo 19

157 27 0
                                        

Draco enxugou as bochechas de Harry com ternura, notando os olhos vermelhos e a expressão de dor. Continuando a traçar suas feições com ternura, ele continuou, com a voz embargada.

— Eu preciso de você, Harry. Sem você, a vida não tem sentido. Senti sua falta mais do que você pode imaginar.

Harry não tentou escapar do toque dele, apenas murmurou mal-humorado.

— Mas você foi embora.

Draco sorriu tristemente e assentiu.

— Sim. Eu não entendia o quanto você estava ruim, o quanto você escondia de mim... toda essa dor. Mas... acho que teria ido embora de qualquer maneira, eventualmente. Eu te amo demais para ver você morrer lentamente, Harry.

Algo parecido com vergonha brilhou nos olhos de Harry, e ele tentou recuar, mas Draco o manteve perto.

— Estou ciente de que isso não é... voluntário de sua parte. Mas você tem que aceitar ajuda, Harry. Se você realmente quiser… que funcione entre nós.

Harry recuou e rosnou de aborrecimento.

— Ajuda? Alguém para me convencer a sair da casa do meu padrinho?

Draco cerrou os punhos, tentando lembrar que Harry sempre foi um idiota teimoso e que ele não estava na melhor forma. Ele sibilou, irritado.

— Alguém para te mostrar que você está arruinando sua própria vida! Que você afaste quem te ama! Além de Hermione e Ron, quem veio ver você nos últimos meses?

Harry abriu a boca e fechou-a com força até seu maxilar estalar. Ele abaixou a cabeça e esfregou o rosto.

— Eu estou melhor sozinho.

Draco sentiu como se estivesse levando um soco no coração, mas escondeu sua reação. Ele se levantou para pegar algumas tigelas de sopa, sob o olhar desconfiado de Harry.

— Coma, é sopa feita pela Molly. Você ainda precisa se aquecer depois da sua pequena apresentação na praia.

Harry se encolheu e pegou a tigela silenciosamente, bebendo a sopa em pequenos goles. Draco o imitou, observando-o pelo canto dos olhos, satisfeito em vê-lo comendo direito.

Quando terminaram, Draco havia recuperado a compostura, o suficiente para continuar aquela conversa difícil.

— Você disse que estava melhor sozinho. Isso se aplica a mim também, Harry? Você está me pedindo para ir embora?

Harry piscou como um coelho apanhado pelos faróis, depois balançou a cabeça gentilmente.

— EU…

Draco o empurrou um pouco mais, olhando para ele sem piedade.

— Você vai ter que me dizer o que quer de mim, Harry. Devo deixar você?

Os olhos de Harry se arregalaram, sua respiração curta. Ele permaneceu em silêncio por um longo tempo, tanto tempo que Draco pensou que finalmente iria afastá-lo.

Finalmente, uma lágrima rolou pelo rosto de Harry e ele sussurrou, sua voz embargada de tristeza.

— Eu deveria deixar você ir, mas não posso. Eu... eu preciso de você...

Incapaz de ficar mais longe dele, Draco puxou-o para seus braços e beijou-o brevemente.

— Estou aqui querido. Vou te ajudar. Você provavelmente vai me odiar, mas não vou deixar você ir dessa vez. Se você quiser me afastar, terá que me expulsar, ok?

Harry soltou uma risada incrédula e balançou a cabeça, sem fazer comentários.

Harry não tinha certeza se merecia toda a atenção e carinho que Draco estava lhe dando espontaneamente, como se eles nunca tivessem terminado.

No entanto, ele não era forte o suficiente para afastá-lo.

O jovem sabia que não estava bem, tinha ouvido perfeitamente as palavras do curandeiro do St. Mungus, mas se recusou a ouvir o conselho, pensando que conseguiria superar isso sozinho.

Ele se recusou a compartilhar a história de sua vida com um estranho, provavelmente porque sentia que qualquer pessoa que ouvisse sua história apenas o afastaria. Ele próprio estava se afogando em culpa e não conseguia se perdoar pelos próprios erros.

Ele havia se convencido de que havia trancado tudo isso no fundo e que estava tudo bem. Ele se sentia bem na companhia de Draco, havia recuperado total controle de sua vida.

Claro, às vezes ele se sentia triste... mas isso era normal, afinal. Houve tantas mortes que era natural para ele pensar nelas.

Algumas noites os pesadelos o torturavam, mas ele aprendeu a ficar parado e quieto para não acordar Draco. Às vezes ele se sentia culpado por esconder isso dele, porque seu companheiro parecia realmente se preocupar com ele, mas ele temia se tornar um fardo para ele.

Na verdade, Harry tinha acabado de trancar todas as lembranças ruins em uma caixa no fundo de sua mente e se certificado de que nada poderia lembrá-lo delas.

Exceto que Grimmauld Place estava cheio de lembranças dolorosas.

Harry esfregou os olhos e encontrou o olhar caloroso de Draco. Eles brigaram, ele quase o matou, eles se encontraram, se amaram e depois se separaram, e Draco ainda estava lá, ao seu lado, pronto para apoiá-lo. Pronto para ajudá-lo.

Sem saber se merecia toda a atenção, Harry sussurrou incrédulo.

— Por que ? Por que você voltou por mim?

Draco não pediu mais detalhes como se entendesse perfeitamente o significado da pergunta dele. Ele sorriu para ele, encolhendo os ombros.

— Você chamou minha atenção no dia em que nos conhecemos, Harry. Eu queria impressionar você, queria ser seu amigo. Não funcionou, então me tornei... seu rival. Você pode quase ter me matado, como me lembrou antes, mas mergulhou no coração de um fogomaldito por mim. Sem a menor hesitação. No dia em que nos reencontramos, você poderia ter arruinado minha vida com apenas uma palavra negativa sobre mim, mas fingiu que éramos amigos e nos tornamos amigos. Não pensei que pudesse amar alguém como amo você, porque meus pais me ensinaram que o amor não existia. No entanto, você me mostrou... que era possível. Depois disso, você achou que eu poderia simplesmente esquecer de você?

Coeurs brisés Onde histórias criam vida. Descubra agora