Capítulo 10

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À NOITE

Lucero já esperava Hannah terminar a aula enquanto desligava seu computador até ser atraída por uma pasta de fotos que sempre passava despercebida por ela, se lembrando de que indicava o exato ano em que estudou com Fernando ali. Imediatamente ela a abriu e passou por algumas imagens de outras turmas que estudaram na sua época, da sua própria classe, algumas com suas amigas e por último, com seu marido, abraçados e sorridentes, ainda quando namoravam. Lucero passou os dedos delicadamente pelo rosto do amado, tão sereno, feliz e apaixonado por ela que nem parecia o mesmo homem com tanto ódio e rancor que não perdia tempo em magoá-la sempre que podia. Como de costume quando pensava na sua situação, ela já chorava desesperadamente e se perguntava se algum dia teria o perdão de Fernando como conseguiu o da filha, nem que fosse para não ficarem juntos novamente, só em poder conviver em paz com ele já a faria superar uma possível separação. A mulher não viu o tempo passar e Hannah logo entrou em sua sala devagar, se assustando ao vê-la soluçar em frente ao computador.

− Mãe, o que foi?! – Hannah correu até Lucero, preocupada.

Lucero encarou Hannah, enxugando o rosto. Ela odiava o fato de que além de se descontrolar no trabalho por lhe trazer tantas lembranças, também o fazia na frente da filha para fazê-la ter certeza do quanto ainda sofria por Fernando e pelo passado.

− Nada, eu só estava vendo algumas coisas e me emocionei. – Lucero fungou.

− Eu posso ver? – Hannah perguntou, já com a mão no mouse do computador.

Lucero simplesmente assentiu e Hannah começou a passar as fotos, parando na que os pais estavam juntos. Pelo que a mãe contava, eles eram muito apaixonados e se não fosse seu avô Fernando, talvez ainda estivessem juntos e fossem um dos casais que deram certo desde a adolescência. Então ela entendeu o que a loira sentia, por mais que tentasse esconder, ela continuava amando seu pai.

− Mamãe, o que eu posso fazer para te ajudar? – Hannah perguntou com pena, acariciando o rosto de Lucero.

− Ninguém pode ajudar, filha, só o tempo. – Lucero suspirou. – Mas eu aceito um abraço. – ela falou com a voz embargada.

Hannah não pensou duas vezes antes de se sentar na cadeira apertadinha com Lucero e envolvê-la com os braços, sentindo a mulher cheirar seu cabelo e voltar a chorar silenciosamente. Ninguém a entenderia como ela, por mais que ainda fosse uma criança praticamente, só em ouvi-la e estar por perto já era tudo.

− Eu te amo tanto. – Lucero falou chorando.

− Eu também te amo muito. Fica calma que eu prometo que tudo vai se resolver, hum? – Hannah falava, com o queixo na cabeça de Lucero e acariciando suas costas.

Lucero chorou por vários minutos sem fazer nenhum barulho, somente Hannah sentia seu corpo se tremer e ouvia seus soluços baixos, permanecendo ali, quieta e fazendo carinho no cabelo e nos ombros da mãe até acalmá-la. A mulher soltou a filha quando suas lágrimas secaram, sem querer se mover nem um pouco daquele colinho que tanto precisava, mas infelizmente elas ainda estavam na escola e tinham regras a cumprir.

− Você está se sentindo melhor? – Hannah perguntou antes que Lucero falasse qualquer coisa.

− Sim, obrigada. – Lucero fungou. – Mas eu acho que agora devemos ir jantar, mocinha, daqui a pouco você precisa dormir. Não quero que pensem que você tem regalias só porque é filha da diretora. – ela tentou brincar para quebrar o clima e Hannah sorriu, percebendo a intenção da mãe.

Hannah ajudou Lucero a ajeitar a sala para o dia seguinte e a desligar o que estavam usando, como o computador, as luzes e o ar condicionado. Elas logo saíram de mãos dadas e cumprimentaram o porteiro, que como todos na escola, sabia que elas eram mãe e filha e poderiam sair juntas. A mulher levou a moça para um restaurante perto da escola, preferia isso a comer com ela em uma mesa do refeitório na frente dos outros, não queria constrangê-la em ficar perto dela quando podia estar com as amigas e fora dali, tinham mais privacidade. As duas comeram até ficarem satisfeitas e na hora marcada, Lucero levou Hannah para a escola, mas desceu do carro para se despedir.

Me Reviviste TúOnde histórias criam vida. Descubra agora