Eu costumava ser grata por todas as coisas ruins que aconteceram comigo durante a vida. Eu olhava pra trás, e, bem, não importava: essas coisas tinham "me feito ser quem eu sou", e eu gostava de quem eu era. Agora eu não me sinto mais assim.
Agora é tudo vazio.
O sofrimento de agora não parece valer o suposto aprendizado, porque tudo o que eu aprendi até então se resume a como eu não faço ideia de como resolver esses milhões de problemas que eu percebi ter. Eu chego a sentir falta da ilusória impressão que eu tinha de que esse vazio podia ser preenchido. Eu sinto falta de quando eu não sabia muito bem o que esse vazio era. Porque agora que eu sei, ele olha bem no fundo dos meus olhos. E me dói.
Quase que fisicamente, me dói.
E não tem saída, nesse caso. Eu não consigo preencher esse vazio com nada, com ninguém a não ser eu mesma - mas o que eu sou, senão um conjunto de coisas quebradas? Como eu posso me preencher, se nem ao menos me acho boa o suficiente? Como eu vou me dar o que outras pessoas, pessoas que deveriam ter cuidado de mim, pessoas que deveriam ter construído minha base, não me deram? Eu não consigo. Eu não posso. Eu não aguento.
E a única pessoa que representava família pra mim já não mora mais comigo. Com ela, se mudou junto a capacidade de achar esse lugar (que deveria ser minha casa) suportável. Sem ela, eu me descobri sozinha. Excruciantemente sozinha. E quando não tenho companhia de ninguém, é aí que esse vazio grita. E eu não consigo ignorar como fiz por toda minha vida, porque agora as cortinas caíram e eu não consigo desver o que tinha por trás. Quem eu realmente sou? Um eu quebrado. E como é que eu poderia me orgulhar disso? Como?
Eu não consigo. Eu não posso. E eu não aguento.
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Algo Novo
PuisiUma nova era de poesias, que fazem o seu melhor para espelharem aquilo que há em mim.