- Acorda, Alberto. - Chacoalho meu namorado na tentativa de o acordar. Ele resmunga. - Yuri, abre a porra desse teu olho agora ou eu juro que eu te mato.
Ele me encara em choque. Sua cara amassada mostrava o quão profundamente ele dormia.
Yuri: O que aconteceu, amor. - Sua voz ainda rouca invade meus ouvidos e eu tento não me render a isso.
- O que aconteceu? Quem é Júlia, seu filho da puta? - Ele se senta na cama, confuso.
Yuri: Quem é Júlia? - Ele coça os olhos e boceja.
- Se eu 'tô te perguntando é porque eu não sei, né? Mas você sabe, sabe muito bem!
Yuri: Eu não faço a mínima de quem seja Júlia, amor! - Bufo, irritada.
- Não sabe? Agora vai ficar fazendo joguinho de desentendido? Assume logo, fala de uma vez. - Eu já estava completamente irritada e meu tom um pouco elevado mostrava bem isso.
Yuri: Assumir o que? Do que você 'tá falando?
- PARA DE SER SONSO, YURI! Vai se foder, porra. Você sabe quem é Júlia, sabe bem! Fala de uma vez antes que eu me estresse com você.
Yuri: Mais? - Esse com certeza não tem medo da morte. Respiro fundo.
- Yuri, pela última vez. Quem.É.Júlia? - Digo pausadamente.
Yuri: Eu já te disse, eu não sei!
- SABE SIM! - Me exalto. - Fala quem é, fala. Seja homem uma vez na vida. Assume!
Yuri: Assumir o que? - Diz já estressado com minhas acusações.
- QUE SABE QUEM É JÚLIA.
Yuri: Eu não faço a mínima ideia de quem seja essa tal de Júlia! - Seguro suas bochechas com minha mão e aproximo meu rosto do seu.
- Quem é Júlia? - Digo firme.
Yuri: Eu não sei. - Diz simples.
Solto seu rosto com certa brutalidade e me levanto da cama. Caminho até a porta do quarto mas não saio, não antes de xingar Yuri.
- Vai se foder, babaca. Não fala comigo se não for pra falar quem é Júlia.
Bato a porta com força e desço as escadas com os olhos cheios d'água, não queria ter brigado com Yuri, muito menos por conta disso, porém a tensão pré menstrual existente em meu corpo mexe demais comigo. É difícil agir na razão ao invés de na emoção.