Chapter 13 - The Funeral

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Cassie Myller

E com aquelas simples palavras o meu mundo tinha acabado.

Entrei para o quarto e vi o James, mas não o James que eu conhecia, estava pálido, e já não se ouvia nada além de um silêncio profundo.

Abracei-o como se o meu abraço fizesse com que ele voltasse...

- James, acorda por favor! - Disse entre soluços.

O Nicholas não quis entrar mas sabia que ele também estava a chorar naquele momento, ele preferia não chorar à minha frente mas eu conseguia ver que estava tão mal quanto eu.

- Por favor!... - Disse enquanto agarrava na mão dele.

- Volta James, não me deixes aqui sozinha... - Pedi-lhe.

Trinta minutos depois recompus-me e abracei-o uma última vez.

- Amo-te maninho, e vou amar-te até ao meu último suspiro.

Quando saí da sala o Nicholas olhou para mim e abraçou-me.

Ele preferiu não falar enquanto eu assinava uns papeis sobre o James, e como decorrerá o funeral dele. Eu sabia que o James não iria querer que o transformassemos em meras cinzas, então fiz da maneira que achei mais adequada.

Quando fui para o carro fiquei em silêncio mas apercebi-me que o Nicholas não arrancava e estava com o olhar fixo em mim.

- Cassie.. Eu nem sei o que dizer de tudo o que está a acontecer...

Suspirei e continuei em silêncio.

- Fala comigo Cassie, o teu silêncio mata-me, quero saber como estás, quero saber o que sentes, porra!

- Sinto-me muitíssimo bem Nicholas, o meu irmão acabou de morrer, ai que divertido!

Não dissemos mais nada o resto do caminho, quando chegámos a casa fui direta para o meu quarto. Não sabia se saía daquela casa e arranjava onde morar ou se ficava ali e tinha um lugar onde morar.

- Cassie, posso entrar?... - Perguntou o Nicholas do outro lado da porta.

- Podes. - Respondi.

- Cassie, desculpa ter falado daquela forma contigo no carro... O James era meu melhor amigo, não estou propriamente contente por isto.

- Nicholas, eu vou me embora. - Anunciei.

- O que? - Perguntou supreendido.

- Eu não te entendo Cassie, primeiro dizes que me amas e queres passar o resto da tua vida comigo e agora dizes-me que te vais embora sem mais nem menos? Estás a deixar-me cada vez mais confuso caramba! 

Senti uma lágrima escorrer-me pelo rosto à qual limpei com um gesto rápido.

- Eu não consigo ficar aqui Nicholas, tudo nesta cidade me faz lembrar o James... - Disse-lhe.

- Cassie, eu posso ajudar-te com isso, tu sabes que eu só te quero ver bem. Vou estar aqui sempre que precisares pequena..

- Se me queres ver bem, por favor deixa-me ir, eu prometo que volto, demore o tempo que demorar. - Disse com o olhar fixo no dele.

Ele não disse nada, beijou-me e depois ajudou-me a arrumar as coisas.

Deixei algumas roupas de fora porque ainda ía ficar até ao dia do funeral do James, não me perdoaria se faltasse a esse momento.

Dois dias passaram-se e eu só saía do quarto para ir comer, o Nicholas andava preocupado comigo, mas tinha que respeitar o meu espaço. O dia do funeral era hoje, marcamos para as 16:00.

Vesti umas calças pretas e um sobretudo preto também. Ainda não tinha arrumado as coisas dele, pretendia deixá-las cá até voltar.

- Estás pronta Cass?.. - Perguntou-me o Nicholas com tristeza no olhar. Ele também não andava nada bem, só trabalhava para não pensar muito no que tinha acontecido.

- Sim. - Respondi e fui para o carro.

Sentei-me no copiloto, enquanto o Nicholas conduzia com a mão na minha perna e olhava para mim de vez em quando. O funeral ainda era um pouco longe da casa do Nicholas, demoramos quase uma hora a chegar por causa do transito caótico.

- Chegamos pequena. - Anunciou o Nicholas quando estacionou a Ferrari.

Saí do carro e esperei por ele, para entrarmos juntos, ele estava muito bonito, tinha uma camisa social preta e umas calças de fato pretas.

Estivemos aproximadamente três horas no funeral e agradeci por lembrar-me de não levar muita maquilhagem nesse dia.

Quando estavam a enterrar o caixão dele agarrei-me ao Nicholas, senti que a qualquer momento podia cair e ele pareceu entender a minha atitude, porque segurou-me a ele.

Quando já tinham ido todos embora e só  lá estava eu e o Nicholas. O Nicholas despediu-se entre lágrimas, era a primeira vez que o via chorar, e logo depois foi para o carro e deixou-me sozinha com o James.

- Porque é que me deixaste?.. Pensava que serias forte e aguentarias tudo. E agora quem é que me vai proteger do pai?.. Quem é que me vai abraçar quando eu mais precisar?... Tu já não estás aqui caramba!

Depois de alguns minutos a chorar junto do túmulo dele levantei-me e despedi-me.

- Amo-te hoje e vou sempre te amar maninho, encontramo-nos lá em cima.

Após dizer isso fui até ao Nicholas. Precisava do abraço dele naquele momento.

Quando chegamos a casa terminei de arrumar as minhas coisas. Aquela seria a nossa última noite juntos e não queria desperdiça-la.

Passámos a maior parte da noite a amar-nos como nunca, era a primeira vez que estava a fazer aquilo com o Nicholas e foi bom, ambos estavamos destruídos com tudo o que estava a acontecer e isso ajudou-nos a distrair a cabeça e a pensar no que estava a acontecer naquele momento.

De manhã acordei e vi que o Nicholas olhava para mim.

- Bom dia Cass. - Disse-me com um sorriso.

- Bom dia Nick. - Respondi.

- Até a dormir consegues ser perfeita, acho que quando te fores embora vai me custar imenso dormir sem ti..

Sorri-lhe e levantei-me. Tomei banho e vesti uma roupa simples e confortável, era um fato de treino da Nike que o Nicholas me tinha oferecido à pouco tempo, por cima vesti o casaco que o meu irmão usava quase sempre.

Arrumei as malas todas e levei-as até ao andar de baixo, o Nicholas não ia conseguir levar-me ao aeroporto por causa do trabalho. Mas só ia trabalhar assim que se assegura-se que eu já tinha lá chegado.

Antes de me ir embora fui me despedir do Nicholas.

- Cassie, eu quero que saibas que quando voltares vou estar aqui à tua espera, e vou te receber de braços abertos sempre que precisares, quero que me avisem se algo acontecer e como quero que estejas em segurança, por favor leva isto contigo. - Disse-me e deu me um American Express, eram dos cartões mais privilegiados da América, e só os davam a milionários que gastavam grandes quantias de dinheiro.

- Estás louco? Não posso aceitar isto.

- Leva-o contigo por favor, fá-lo por mim. Fico mais descansado por saber que tens dinheiro contigo caso aconteça alguma coisa. O dinheiro que tu tens serve-te mas isto é uma reserva Cassie.

Suspirei e guardei o cartão dentro da minha mochila.

Beijamo-nos e fui-me embora.

Finalmente podia tentar superar a morte do meu irmão e estar segura longe do nosso pai, que nem se tinha dado ao trabalho de aparecer no funeral do filho que dizia amar tanto.

Mas como se supera o insuperável?

O PesadeloHistórias para pegar e não largar. Descubra agora