Parte 17 - Dormir

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-Desculpe. - Naruto sussurrou. - Faz tempo que dormi com alguém. Um adulto. Um homem adulto, no caso. - tentou se explicar. O outro balançou a cabeça, compreensivo. Sasuke afagou aquela parte da cintura, admirando com certo carinho seu pijama nele. Chegou perto e deu um beijinho perto do olho.

-Se você preferir dormir sozinho, fica aqui e eu vou para outro lugar.

-Não. A cama é sua.

-Você é meu convidado.

-Eu não vou dormir com você desconfortável.

-Não estarei desconfortável.

-Eu fico na segunda cama. - Naruto preferiu. - Aí você fica nessa.

-Não tem outra cama.

-Mas você disse...

-Outro lugar. - completou ao repetir.

Naruto observou o móvel, suspirou e fitou Sasuke.

-Eu durmo contigo, então. - Sasuke não gostava da ideia de ele ceder a cada coisa que pensa fazer, mas também sente muita vontade de estar junto a Naruto. Afagou a cintura redonda e o guiou para o colchão.

-Olha, não precisa deitar comigo se não se sente confortável, Naruto. Eu não sou um adolescente que irá se incomodar com as suas decisões. A gente estava junto até agora. Não morrerei pela sua ausência de algumas horas.

O ômega ficou uns segundos analisando as linhas de expressão ao redor dos olhos, os cílios curtos, mas volumosos, que dão mais destaque ao negro das pupilas, percebendo que o rosto é muito adulto para ter olhos tão juvenis, tão novos, mas já cansados.

Apoiou suas mãos nas maçãs parcas e afagou a região um pouco abaixo das olheiras, aos poucos um sorriso se desenhou no mais velho quando o alfa fechou os olhos e suspirou relaxado, aceitando aquele carinho sem qualquer desconfiança ou receio do que possa acontecer, à vontade consigo.

Os alfas que fogem à regra são criaturas estranhas, inegavelmente incomuns ao conviver com os outros. Sasuke não deveria se portar com tamanha naturalidade e tão indefeso, aceitando suas mãos, suas carícias, sua paixão pelo corpo, sua afetividade pelos gestos com tanta... Os olhos negros abriram para si e sorriram de um jeito que fez Naruto se sentir em paz, da mesma forma quando abraça seus filhos antes de colocá-los para dormir. Um chegou mais perto do outro e suas energias vibraram quase em perfeita sintonia.

Vê tanto de si nele. Assim, de repente, é como se Naruto houvesse parado diante de um espelho. Encontrava limitações, circunstâncias para além do controle, decisões difíceis, determinação para enfrentar o mundo e ousadia para a constante busca; sim, uma busca motivada pela inquietude, mas, ao mesmo tempo, descansada quando encontra uma mão amiga. Naruto se sente assim quando está com seus amigos e com seus pais, descansando do pesado fardo que é a paternidade solo. Não se arrepende de ficar sozinho, pelo contrário, é mais libertador e seguro. Mas sabe que seria uma corrida menos excruciante se tivesse alguém correndo consigo, no seu ritmo. Sasuke corre também.

-É uma pena que nossas corridas só tenham se encontrado agora. - divagou num sussurro. O alfa franziu as sobrancelhas, confuso sobre o que foi dito, mas permaneceu em silêncio, desfrutando daqueles toques. Cruzou as mãos atrás das costas dele e curvou um pouco mais para chegar perto.

-Vamos para a cama? Precisa descansar, meu príncipe. - convidou com um tom carinhoso. Naruto assentiu, bem mais confortável. Sasuke deu um beijinho no nariz alheio provocando um riso baixo. - Não se preocupe. Não farei nada.

-Eu te prometi...

-Eu sei, eu sei. - Sasuke interrompeu. - Mas eu entendo o seu desconforto.

-Não, não sinto nenhum. - os dois sentaram na cama e foram se acomodando. As dores no corpo do ômega encontram no colchão aquilo que necessitavam para se aquietar. Sasuke ficou ao seu lado depois de ligar o ventilador, fechar o mosquiteiro na frente da cama e ligar uma pequena luzinha na cabeceira, que tem a forma de uma joaninha. - Você pode... se quiser, caso eu esteja dormindo.

Canil dos UchihasHistórias para pegar e não largar. Descubra agora