𝒞𝒶𝓅𝒾́𝓉𝓊𝓁ℴ 5

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Dormir não foi uma opção. Aproveitou o impulso da raiva e separou todas as coisas que pertenciam à George. Colocou todas das roupas e alguns outros pertences em malas e quando percebeu já era de manhã.

Decidiu que não deixaria a situação em que George a colocou, tomar conta de si. Ela tomaria o controle, nem que isso demorasse.

— Quer saber? Eu mantive a calma durante tudo isso? Sim. Mas e ele? Ele jogou essa bomba aqui e agiu como se não fosse nada. Cretino.

Helena voltou a falar sozinha enquanto terminava de lavar algumas vasilhas.

— E eu aqui, preocupada com ele, pensando em como estava sendo difícil para ele, por tudo que passou. Me sentindo culpada por não conseguir fazer nada para ajudá-lo, como eu fui idiota.

Terminou de organizar a cozinha e pegou o celular.

— Eu não preciso ser educada com ele. Eu não preciso de mais nada dele, eu consegui lidar com tudo sozinha enquanto ele estava no exército e agora não vai ser diferente. Na verdade, vai sim. Agora ele será apenas o pai do Thomas e da Olívia.

Desbloqueou o celular e ligou para Dylan. Helena estava determinada a saber onde George estava hospedado. Não esperaria ele vir buscar suas coisas e atuar como a vítima da situação na frente dos filhos, ela mesma iria levá-las.

Dylan disse que não achava uma boa ideia ela fazer isso agora, já que estava tomada pela raiva. Mas Helena não estava nem perto de mudar de ideia. Dylan disse que iria até sua casa para conversarem.

Não demorou muito até que a campainha tocasse. Helena abriu a porta e ele entrou.

— Helena, eu não acho...

— Dylan, se você não me disser onde ele está, eu vou procurar, hotel por hotel até encontrar. E se isso demorar, eu vou ficar com mais raiva, e seu agredir ele, a culpa será toda sua.

— Helena, por favor... Eu sei que você está com raiva, mas não acha melhor esperar uns dias?

— Esperar o que? Eu não posso esperar, tenho que aproveitar enquanto as crianças não estão aqui para poder falar o que não tive coragem antes. Não vou ter coragem de fazer isso na frente delas Dylan. Por favor...

— Tudo bem...

— Você viu ele ontem, o que ele te disse?

— Ele me explicou tudo, disse que a conheceu enquanto eu estava em outra área, ela é uma espécie de burocrata lá dentro. Disse que... Não mudaria de ideia e que sentia muito.

— Sente muito, sente muito? Aquele infeliz. Você a conhece? Já a viu?

— Não, eu sei que ela é de uma patente mais alta do que a nossa.

— Tá bom, isso não importa. Me diz em qual hotel ele está, vou levar as coisas dele.

— Helena...

— Dylan, fala logo.

— Ele não está em nenhum hotel.

— Como assim? Onde ele está então?

— Ele está na casa dela.

Helena ficou boquiaberta. Aquilo apenas a deixou com mais raiva.

— Isso não muda nada, onde fica?

— Eu te levo lá.

— Não precisa ir comigo, eu vou ficar bem.

A verdade é que Helena não queria ir sozinha, encarar os dois seria demais para ela. Poderia até suportar o escudo por um tempo, mas logo tudo desabaria.

Dylan não discutiu, pegou as malas e colocou no carro. Helena o acompanhou e saíram.

Durante o caminho, nenhuma palavra foi dita. Helena estava concentrada, planejando uma forma de se manter estável diante de qualquer situação que ocorresse.

Após um tempo chegaram. A casa surpreendeu Helena, não sabia o porquê, mas esperava algo totalmente diferente, o que não fazia sentido já que não conhecia a mulher. A casa era comum, e bem parecida com a sua. Um gramado na frente, rodeado por um pequeno cercado branco. As paredes tinham um tom azul claro, com alguns vasos de plantas na varanda.

Dylan desceu do carro e se dirigiu até o porta malas. Helena desceu e parou na calçada. Sentiu seu corpo gelar quando viu uma mulher abrindo a porta, seguida por George.

Ambos andaram pelo caminho de pedras até chegar em Helena.

— Helena? O que está fazendo aqui?

A mulher a olhava de uma forma estranha, mas não era de uma forma rude. Ela parecia vergonhosa.

Dylan se posicionou ao lado de Helena, trazendo consigo as malas.

— Vim trazer suas coisas.

— Helena...

— As crianças ainda estão na minha mãe, voltam amanhã a noite. Ainda tenho que pensar em uma forma de contar à elas o que aconteceu. Não quero que apareça por lá antes que eu diga, George.

— Eu também preciso conversar com meus filhos Helena.

— Você precisa me dar um tempo, para tentar colocar as coisas no lugar. É o mínimo que você me deve.

— Tudo bem...

Dylan entregou as malas à George, que pegou sem levantar o olhar.

— Essa é a...

— Não! Não ouse nos apresentar.

Helena se virou e caminhou de volta ao carro. Dylan apenas se despediu do amigo e em seguida foi embora.

— Como você está?

— Me sentindo a maior idiota desse mundo.

— Para Helena, você não é isso.

— Eu sou sim. Falei que diria várias coisas para ele, como ele me machucou, como ele destruiu nossa família e agiu como se não fosse nada. E o que eu fiz? Continuei sendo a Helena paciente, Helena pacificadora.

— Eu, particularmente, não acho isso uma coisa ruim. No mundo em que vivemos, ser uma pessoa com a sua personalidade é uma dádiva.

— E olha onde isso me levou.

— Olha, eu sei que não deve estar sendo nada fácil passar por tudo isso. Sei que George foi um idiota, mas não deixa ele ou a situação que você está, mudar as coisas boas em você.

Helena suspirou e agradeceu as palavras de Dylan com um pequeno sorriso.

{...}

—Obrigada Dylan, por tudo.

— Imagina Helena. Qualquer coisa que precisar pode contar comigo.

Helena desceu do carro e entrou. Parou por alguns segundos e observou sua casa. Cada cômodo trazia uma lembrança. Uma noite de filme em família, um jantar, as brincadeiras de pique esconde com Olívia, Thomas jogando futebol pela casa com George.

Nenhuma dessas memórias seria apagada, mas Helena estava determinada a criar novas para substituí-las.

Aproveitou o dia para fazer uma limpeza geral. Colocou uma música, abriu uma garrafa de vinho e se dedicou a tarefa esquecendo do mundo a fora.

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