Paper Plane

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Isso está acabando comigo
Mas sei que sentiria sua falta
Se eu partisse agora mesmo

Isso está acabando comigoMas sei que sentiria sua faltaSe eu partisse agora mesmo

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15h55 pm
Dormitório

Mingi se locomoveu até seu quarto após entrar no apartamento. O silêncio era absurdo, chegava a incomodar. Pelo horário já imaginava que Yunho havia ido trabalhar, mesmo que não tivesse não saberia por conta da porta trancada perto da sua. Ao entrar no cômodo frio, Song pensou um pouco no que estava prestes a fazer.

Estava fugindo de um caos do qual ele mesmo se colocou, culpar seu pai era a melhor opção para ocultar o fato de ser covarde e medroso demais para uma relação com Yunho. Ele sabia, Jeong tinha tudo e poderia ter muito mais se quisesse, nasceu de uma família rica e nunca precisou provar seu valor, mesmo que seus pais estivessem distantes ambos viviam o mimando com presentes. Até seu irmão que estudava fora o tratava calorosamente. Não que San não o desse carinho o suficiente, é que é complemente diferente quando você chega em uma casa estranha, cheia de estranhos com apenas cinco anos.

Ambos brigavam muito no início, San tinha ciúmes de algo tão bobo, ele tinha toda atenção que poderia querer, não precisava chorar por isso. O prodígio Choi San, primogênito de Choi Minseok, isso durou até que seu pai descobrisse o que o matou por dentro. Mingi carregava essa culpa, se não tivesse chamado o pai no momento errado de uma brincadeira completamente inocente entre os amigos, o mais velho nunca seria arrancado sem piedade do armário — que naquele momento nem sabia que existia ainda.

Se lembra da exata sensação de pavor, seu pai nunca esteve tão irritado quanto havia ficado nesse dia. Um beijo. Apenas por um beijo inocente assim como o seu com Yong Kiho. San não entendia o porquê da reação estrondosa, ele apanhou na frente do garotinho, aquele homem não pensou duas vezes em fazê-lo gritar por não saber o motivo de tal ato. Sua mãe obviamente não estava lá, naquele dia ela não estava se sentindo muito bem e não pôde levá-los ao parquinho. Se fosse ela, tudo seria melhor, mais fácil.

Desde então, San passou a odiar o pai, e o mais doloroso é que foi recíproco. Brigavam dia e noite durante sua adolescência conturbada e rebelde. San mudou tantas vezes de cor de cabelo que quase teve corte químico, fez piercings em todos os lugares que achava bonito ou agressivo, tudo para chamar atenção e mostrar que estava chateado, quebrado por dentro, mas claro que de nada adiantou. O homem ficava mais rígido a cada ano que passava, mesmo o vendo namorar mulheres ele nunca acreditou fielmente que seu filho poderia gostar dos dois, afinal, "Bissexualidade é apenas para esconder que é gay", ele dizia, "Tire essas merdas do seu rosto, um empresário não usa isso! Isso é coisa de viado!"

Mingi sentia que tinha sorte por ter um irmão que nunca o "entregou", diferente do contrário. Mesmo com toda a liberdade ele não podia escolher. Apesar de San se impôr em não se casar e ser aceito após muitas discussões, esse não era o seu caso. Mingi agora iria se casar com Soyeon, e no fundo ele odiava ela por isso, mas se odiava mais por não conseguir fazer ou dizer algo. O medo é o maior problema quando se trata de ações importantes. Ele precisava decidir se iria viver com alguém que não amava só para continuar com sua fortuna e criar uma família como seu pai queria, ou se largava tudo por Yunho. Não sabia se estava disposto a isso, mas a cada lágrima que assistia percorrer pelo rosto alheio, doía em seu peito, era como um tiro, uma facada profunda com a lâmina mais afiada. Parecia um sentimento de morte, sentia que ia morrer se não ficasse com ele, se nunca mais visse seu sorriso, ou o seu rosto inchado pela manhã. Merda, ele queria fazer mais waffles cobertos de mel para ele no café, queria que Yunho cuidasse de seus curativos quando se machucasse ou entrasse em brigas, queria poder abraçá-lo e beijá-lo em público sem se preocupar se alguém irá tirar uma foto e expor na internet.

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