Capítulo 3

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Vinte e dois anos atrás...

— Alto,senhorita!

Um rapaz gritou. Beatrice parou de correr de imediato. No início,tudo estava livre e acessível para ela e em um piscar de olhos,se viu cercada por seis homens. Seis guardas reais. Todos apontando espadas em sua direção. A garota de apenas oito anos estava assustada,nervosa com tudo aquilo. Com pressa,não hesitou um só segundo ao dizer:

— Eu preciso fugir,vocês não vão me entender,mas... — engoliu seco. — Ele vai me matar! Ele vai me esfaquear por inteira! Eu não quero morrer! Eu não posso morrer!

— Quem vai matar-la? — perguntou outro guarda,em um tom de pele e pelos mais claros que o anterior. Aproximando-se em passos curtos e receosos,armado. — Nós somos a extensão da corte,e ninguém a fará mal enquanto estivermos aqui. No entanto,eu preciso que a senhorita colabore conosco.

Beatrice não queria colaborar,queria correr! Para longe deles e de qualquer outro homem que cruzasse o seu caminho. Estava assustada,com fome e perdida. Enquanto corria do seu predador,sabendo que não aguentaria mais correr por mais um segundo qualquer,juntou seu resto de forças e pulou em uma carroça prestes a entrar em movimento. Foi só nesse período que descansou,mas havia outro problema... A carroça passou a se mover em questão de instantes! O que significa que ela estava se deslocando do vilarejo em que sua amiga Emma morava. Beatrice ficou aterrorizada,pensou em se jogar no caminho e voltar,mas só em lembrar do barbudo correndo segurando uma espécie de faca a aterrorizou mais ainda,e tudo que ela poderia fazer era tentar gravar o caminho... Assim voltaria com um pouco mais de facilidade.

Seus olhos encheram de lágrimas e suas mãos passaram a tremer. O guarda tentou se aproximar um pouco mais. Beatrice recuou com três passos para trás.

— Por que vocês estão fazendo isso comigo? — perguntou entre lágrimas. -— Fortuna? Não tenho. Nobreza? Também não tenho. Títulos? Pf... — revirou os olhos. — Nem casa e nem família tenho nessa droga! — bateu os pés no chão,urrando. —  Não tenho mãe,não tenho pai,não tenho parentes próximos,não tenho absolutamente nada! Então por que continuam me seguindo e infernizando a minha vida?!

Os guardas recuaram suas armas,um a um,sentindo verdade nas palavras da jovem garotinha que caiu de joelhos no chão de pedras e areia. Aquilo deve ter doído bastante,pensou o guarda real. A empatia preencheu os seus peitos,e por um segundo,o comandante sentiu vontade de dar as costas,chamar os demais e a deixarem em paz. Mas não podiam,não havia sido ordens apenas da Vossa Alteza. A Majestade estava ciente,ordenando reforços,informando que queria a pequena delinquente em seu hall de serviços assim que o evento acabasse.

Beatrice chorava,gritava,soluçava sem se importar com os olhares que esquentavam sua pele.

— Venha conosco,garota. — exigiu o comandante. — Venha enquanto estou sendo gentil,ou irei mandar os demais a pegarem a força. 

Apavorada,levantou-se do chão,erguendo seu olhar ao guarda.

— Nós vamos te proteger,garota. Ninguém irá te tocar ou fazer mal algum,mas para isso eu necessito que nos acompanhe e colabore conosco.

— Por que eu acreditaria nisso?

— Porque não há mais ninguém com quem você possa confiar além de mim. Se sua segurança não for garantida pela guarda real,então por quem seria? — ergueu as sobrancelhas,mostrando superioridade na conversa. Beatrice balançou a cabeça em concordância. Na situação que se encontrava,ser refém de guardas era menos pior do que perseguida e assassinada. — Me diga o seu nome,garotinha. Como se chama?

Dinastia - Choi Seungcheol Histórias para pegar e não largar. Descubra agora