primeiras palavras

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Rhaenyra Targaryen

Os anos passaram-se como vento nas asas de um dragão. E ao longo deles por obrigação me casei com Laenor, tivemos nossos dois filhos Visenya e Lucerys. Em um dia como qualquer um outro o pai de meus filhos avisou que iria embarcar em uma viagem e desde então não retornou a anos, mandaram buscas, mas a única coisa que encontraram foi os destroços da embarcação.

O reino é bem menor aqui de cima, Syrax e eu resolvemos dar um passeio, ela já estava precisando alongar as asas, estava ficando preguiçosa, apenas comendo e pondo ovos.

Assim que possamos, os guardiões se aproximaram e logo levaram a minha velha amiga para descansar.

- Princesa! - Sor Harrold Westerling, veio ao meu encontro. - Não deveria sair assim princesa, pode ser perigoso, mesmo estando com uma fera.

- Não se preocupe Sor Harrold, eu estou bem. - revirei os olhos.

- Eu não me preocupo com a princesa, e sim com a minha cabeça. - encarei o mesmo que não suportou muito contato visual e logo gargalou junto a mim. Ele era um bom amigo, está comigo me ajudando e dando conselhos desde sempre. - Seus filhos estavam perguntando sobre a senhora.

- Caso veja eles pelos corredores, peça que vá para os meus aposentos, por favor. - O homem assentiu e se retirou e assim eu fiz.

Caminho pelos corredores do palácio sem cores, assim como minhas vestis. Sinto um baita baque contra meu corpo e logo escuto papéis caírem sobre o chão, ao abrir meus olhos, vejo aquela garota de olhos violetas e cabelos platinados, suas bochechas estão completamente vermelhas e no meio da sua testa uma vermelhidão muito maior, deduzi que foi por conta do seu desatento ao bater contra meu corpo.

- Rhaenyra!? - Seus olhos se arregalam. - Pelos deuses, me desculpa, eu juro que não tive a intenção, eu vinha saindo da biblioteca e...

- Está tudo bem, não preciso de justificativas, apenas preste atenção, para que dá próxima vez não acabe fazendo coisa pior. - Minha mão vai de encontro a minha testa que está latejando, deve está da cor das bochechas dessa garota destranbelhada.

- Se machucou? Aí céus, me desculpe, deixe-me ver. - A menina se aproxima e coloca a mão em meu machucado o que me faz recuar por conta da pressão que seus dedos fizeram.

- Não, está tudo bem, já já isso passa. - Falei rude.

- Se você diz... eu vou indo, qualquer coisa se precisar de ajuda, as paredes lhe contaram meu paradeiro. - A menina sorri e seus olhos fecham com esse ato. Um dos sorrisos mais belos que já vi em toda minha vida, sem ironia alguma. Vejo ela saindo da minha frente assim que juntou toda a sua papelada.

Daenerys, já é uma jovem moça, meio destranbelhada, mas muito inteligente e bela, diferente de seus irmãos Aegon e Aemond, que são duas criaturas insolentes, ela e sua irmã Helaena são as que tem mais modos.

Chego em meu quarto e as crianças já estão nele, vejo Visenya jogando um de meus travesseiros em Lucerys.

- Eu posso saber o que está acontecendo aqui? - Os dois param no mesmo instante me encarando com os olhos arregalados. - Porquê não me esperaram? - Sorri e os dois respiraram aliviados. Visenya se aproxima e me abraça, desde cedo que não vejo eles. - O que fez durante o dia?

- Estudei o alto valiriano e nossa mãe, eu não aguento mais ter que suportar o aemond, que garoto chato, o Aegon é mais comportado que ele até. - A garota cruza os braços e revira os olhos, uma miniatura minha em minha frente.

- Mas você deve se acostumar, não deixe que eles tirem você da linha, lembre-se, você é uma princesa e deve se comporta para que não haja problemas para sua mãe, posso contar com você? - A menina balança a cabeça concordando. Sorri e depositei um beijo em sua testa. - E você Lucerys, está se comportando?

- Como a senhora sempre pede. - Ele sorrir, me aproximo e abraço o mesmo, consigo notar uma janelinha em seu sorriso, meu menino está perdendo os dentes de leite.

- Agora vão para os seus aposentos, agora!! - ordenei e vi os mesmo saírem correndo feito dois selvagens.

Jogo-me sobre minha cama sentindo a maciez do colchão. Hoje foi a primeira vez que troquei palavras com Daenerys, desde a última vez em que coloquei ela nos braços, fiz questão de não manter nem um contato, mas com o passar dos anos ficou mais difícil evitar ela pelos corredores do palácio, com uma beleza quase inumana, eu a vejo de longe, é gentil e justa com todos, daria uma boa esposa para quem seja lá que vai casar-se com ela.

Sinto um leve incômodo ao pensar na garota casando-se com algum homem velho e feio. Ela merece coisa melhor. Tudo o que meu corpo precisava era relaxar, uma ducha quente e uma bela refeição em meus aposentos, é assim todos os dias.

Fogo e SangueOnde histórias criam vida. Descubra agora