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Ainda é tão cedo que o sol quase não saiu de trás das montanhas, quase não dormi a noite, sinto meu corpo agitado, meus passos são leves pelos corredores, caminho até a biblioteca, o único lugar onde estaria aquecido o suficiente para que eu não passasse frio, abro a porta tentando não fazer barulho e logo adentro o local, os livros espalhados ao chão e algumas folhas soltas deixavam a entender que alguém avia passado aqui, e eu não estava enganada, com fios de cabelos sobre o rosto sereno, seus suspiros são longos e calmos. Sinto curiosidade em saber o motivo dela ter dormido na biblioteca, me aproximo lentamente, tentando não acordá-la, mas me parece que seus instintos são aguçados o suficiente para sentir a presença de alguém, a garota quase pula em um susto.

- Calma... sou eu, Rhaenyra... - Falo com a voz mansa e ainda rouca.

- O que faz aqui? - Ela está assustada, mas não dei motivo.

- Resolvi começar o dia um com uma leitura, mas vi você aqui, o que aconteceu?

- Nada, eu apenas acabei dormindo sem querer... - Ela não me encara, isso é normal de acontecer quando estamos com outras pessoas por perto, quando estamos a sós ela é mais aberta e menos tímida.

- O que você acha de me contar o verdadeiro motivo pelo qual você dormiu aqui? - Cruzo os braços.

- Não foi nada, bobagem. - Ela rir sem graça, parece envergonhada.

- Então eu quero sabe qual é a bobagem, anda, me conte! - Endureci o meu tom, ela não iria falar se eu continuasse mansa.

- O Daemon, foi ao meus aposentos ontem, ele estava bêbado e tentou... - Ela não termina pois eu já entendi muito bem, me aproximo lentamente e a puxo para um abraço aconchegante.

- Vai ficar tudo bem, estou aqui... - Sussurro.

- Você não vai está aqui para me proteger sempre. - a garota sussurra.

- Preciso que confie em mim... ontem foi um descuido, não irá acontecer novamente, eu prometo.

- Obrigada... - Nosso abraço chega ao fim com um forte aperto.

- Onde está Daemon? - Pergunto.

- Deve está em meus aposentos depois que aceitei sua cabeça, ele ficou jogado ao chão, espero que não esteja morto. - A garota responde.

- A morte será o menor de seus problemas. - Afirmo. - Fique aqui. - Ordenei.

Levanto-me indo em passos longos até o quarto da garota, sinto meu peito arder com o ar que enche meus pulmões, abro a porta e vejo o homem jogado ao chão.

- Daemon!! Levanta!! - Falo em alto e bom som, o homem abre os olhos e senta-se no chão. Minha mão leve passa pela adaga que estava em minha cintura e colocando ela no pescoço do homem. - Qual foi a parte que você não entendeu, sobre não tocar em Daenerys? - faço tanta pressão que começa a sangrar sua garganta.

- O melhor bom dia que já tive. - o mesmo fala com dificuldade.

- Pelos deuses antigos e novos, não me faça cortar sua garganta. - Meus dentes estão roçando com tanta força um ao outro que range.

- Eu não cheguei a tocar na menina... - O homem tenta respirar.

- Não, porque ela escapou de você, eu adoraria que arrancar as suas mãos e logo em seguida o seu pau!!

- Vamos com calma, primeiro me solte. - Assim faço com brutalidade.

- Que merda você tem na cabeça? - Respiro fundo tentando procurar um pingo de paz.

- Ressaca, mas já ela passa. Eu só quis aproveitar com a minha pela noiva, não acha justo fazer o teste antes de nos casarmos?

- Não se preocupe quanto a isso, eu já fiz tantas vezes que nem consigo contar e ela é bom, não imagina o quão, por isso deve manter essas suas mãos sujas longe do que é meu, espero que esteja claro que quando falo que mataria por ela, eu realmente faria, e sem peso algum na consciência. - Falo tudo de hma só vez.

- Não precisa, podemos dividir, você não se importaria com isso, já fizemos isso antes! - Esfrego os rosto tentando espalhar o estresse.

- Daemon, fecha a porra da boca, levanta agora a saia do quarto dela! - Ordenei. - Se eu sonhar que esteve aqui novamente, eu acabo com você! - Puxei o homem para fora.

- Não vai ter pra onde correr? Hoje nos casamos. - Reviro os olho ao saber que o casamento será em poucas horas.

[...]

A presença dos pebleus fora do castelo para o casamento de Daenerys e Daemon, a cada minuto aumentava mais. Um vestido na tonalidade escura, alguns acessórios para não passar abatido e o cabelo trançado. Sinto como se estivesse sendo traída de todas as formas, sei que não deveria sentir isso por Daenerys, mas a clareza de que ela é minha que se seus sentimentos pertencem a mim, isso me assegura, com mais aquele acordo idiota que fiz com Daemon, me faz penar muito, mas estou tão entregue aquela garota, que não importasse o que ele me pedisse, eu entregaria de mãos beijadas.

Caminho pelos nobres que me cumprimentam a distância, a calda de meu vestido arrasta por onde passo. Meu assento é ao lado de Rhaenys, a mulher está elegante como sempre um vestido azul marinho, realça tão bem a sua beleza.

- Como se sente vendo a pessoa que você mais confia, casando-se com a pessoa que você menos confia? - Ela é muito bem articulada e observadora.

- Daenerys, é mais esperta do que você pensa. - Respondo.

- Se eu fosse você ficaria de olhos bem abertos, ela é jovem, se for fraca pode ser uma marionete nas mãos das pessoas erradas, começar por Alicent.

- Em Alicent, eu darei meu jeito. - Afirmo. - Agradeço o seu alerta, é sempre bom ter você por perto... - Rhaenys, esteve fazendo papel de mãe, mesmo estando tão distante.

- Eu quero o seu bem sobrinha, já perdi meus filhos, não aceitarei perder você para nem um Hightower. Não verei novamente tomarem o trono de uma legítima, só por ser mulher!

- Não vou permitir que isso aconteça. - Olho em seus olhos que por mais que severos, tem muito carinho.

Rhaenys, teme que meu direito ao trono seja tomado assim como fizeram com o seu, isso é uma das coisas que eu abomino, é ela quem deveria está no trono, mas ela foi uma vítima que não merecia, sem sombra de dúvidas, ela saberia governar o reino com punho firme.

A cerimônia chega ao fim e ocorreu tudo nos conformes, Daemon nem na hora em que desfrutaria dos lábios de Daenerys, não o fez por livre e espontânea pressão.

De longe posso ver a garota que não está nem um pouco contente com a festa, mas tento não me frustrar por ela.

- Está gostando da festa? - Mysaria, está deslumbrante, com um vestido nude e joias que lhe dá um ar de puxa luxúria.

- Estou adorando. - Cumprimento a mesma com um abraço.

- O que acha de aproveitarmos um pouco mais a noite, assim que a festa acabar? - Sua proposta é tentadora, mas a única que tem meu coração está do outro lado do salão com um olhar que tenho certeza que não gostou da minha aproximação com Mysaria.

- Já tenho planos para essa noite e quero que me ajude com uma coisinha. - A mulher sorri maliciosamente.

Fogo e SangueOnde histórias criam vida. Descubra agora