No momento em que cheguei à praça da vila, foi quando parei e recuperei o fôlego. Meus pulmões queimavam e minhas pernas gritavam em protesto. Eu tremia levemente. O trauma passado fez tudo ao meu redor parecer frio. Nada parecia real. Levei minha mão ao rosto enquanto lágrimas escorriam dos meus olhos. Respirei fundo de qualquer maneira para me acalmar. O suor pingava do meu rosto.
— Morgan? — Uma voz me tirou da minha mentalidade de pânico. Olhei para Duque. Uma preocupação parecia moldada em seu rosto enquanto ele se sentava em sua carruagem. Me endireitei, não importa o quanto eu quisesse me enrolar em uma bola e chorar.
— D-Duque?
— Ei, venha aqui, — o homem disse com um aceno de mão gentil . — Você parece que precisa de uma xícara de chá. — Engoli a dor que queria expressar e assenti. Meus olhos possivelmente vermelhos e inchados encararam os dele enquanto me aproximava. Uma xícara fumegante foi entregue a mim momentos depois. Um pequeno gole relaxou meu corpo um pouco. Era chá de baunilha e mel. Algo que eu costumava beber anos atrás na América. A doçura quente da baunilha cobria minha boca. Cantarolava enquanto segurava a xícara com força.
— Então, acho que a vida e a mansão não estão tão animadas? — Tomei outro gole enquanto balançava a cabeça.
— Não... não é isso. Mas eu a deixei chateada, então... acho que eu deveria ter esperado por isso.
— O que aconteceu?
— Tanto coisa, — admiti. — Muita coisa para falar.
— Você gostaria de um assento atrás? Pode olhar a loja enquanto conversamos! — Esfreguei meus olhos com minha mão livre antes de concordar.
— Isso seria ótimo, Duque. — Um sorriso mais amigável cruzou seu rosto enquanto ele bateu na lateral da carruagem. Um forte 'hunk' sibilou na parte de trás. Me afastei quando ouvi barulhos altos na frente. Vi que o interior da carruagem tinha um certo charme. Quase como uma loja de penhores no meio de uma cidade. Engatinhei para dentro e pisei no brasão impresso da coruja no carpete. A porta bateu um momento depois. Duque se acomodou com uma grande chaleira de chá enquanto se acomodava em seu assento. Como ele se virou? Eu não sabia dizer. Sentei-me no carpete. Os cheiros quentes de ervas e especiarias eram um belo contraste.
— Você gostaria de jantar? Fui pescar perto do reservatório hoje! — Neguei com a cabeça.
— Não, obrigado. Não sei se eu conseguiria suportar isso.
— Minha comida não é tão ruim, Morgan. — Disse Duque rindo.
— Ah, não, não foi isso que eu quis dizer! — desculpei-me.
— Eu sei, eu sei. O alucinógeno de Donna não é para qualquer um. — Eu assenti. — Senti o cheiro de flores em você. Eu sabia que o que quer que você tenha visto, não era bom. — Tomei outro gole de chá. Seus lábios se curvaram em uma leve carranca. — Sei que você prefere não falar sobre isso, e não vou bisbilhotar, mas algo para o seu estômago vai te fazer bem. Eu até deixo você pegar carona de volta se quiser. Não acho que você esteja em condições de se mover tanto.
— Por que você se importa? — A desconfiança transparecia em meu tom enquanto erguia a sobrancelha.
— Nem todo mundo aqui está tentando fazer um acordo com um motivo oculto, Morgan. Não sou mais do que um humilde comerciante zelando pelo bem-estar de seu cliente. Seria ruim para os negócios se eu deixasse você ir sozinha! Ora, não acredito que Lady Donna compraria algo de mim novamente! — Um sorriso de descrença surgiu em meu rosto. O homem encheu minha xícara novamente. — Lá vamos nós. Um sorriso é muito melhor do que uma carranca, você não concorda?
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Brincando com a Mestre das Bonecas
Science FictionFanfic feita por: @thusvar Idioma Original: Inglês Nome original: Playing With The Puppet Master Tradução feita por: @Satoshi_345 @thusvar: "Olá, pessoal! Não imaginava que estaria escrevendo outra história da Donna, mas aqui estou! Recebi um pedido...
