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Após dois dias de internação para observação, Hyunjin foi liberado do hospital, ainda sob uso dos antibióticos.

Mas ele estava bem melhor.

Pude levá-lo para casa, dando a ele o luxo de comer uma comida diferente depois desses dias no hospital - eu não seria louco de submeter ele aos meus péssimos dotes culinários -, e finalmente podendo mostrar para ele a surpresa que preparei, eu estava quase morrendo de ansiedade para ver sua reação.

- Tem certeza que precisa de tudo isso? - ele comentou quando nós estávamos andando calmamente no corredor dos quartos, pois eu estava tampando seus olhos. - Sua mão está cheirando a álcool em gel.

- Eu limpei elas antes de tocar em você, não posso arriscar sua saúde de novo.

- Tá bom... - Com um suspiro, Hyunjin desistiu de argumentar, andando comigo em silêncio até que eu parasse de frente para a porta que queria abrir.

- Você me promete que não vai abrir os olhos até eu deixar? - soltou um resmungo positivo e eu tive que interpretar aquilo como um sim, depois de tantas horas de hospital e tratamento era de se esperar que ele estivesse cansado e não muito afim de longas introduções. Abri a porta do quarto e, com cuidado, o puxei pelas mãos para que soubesse que podia entrar, deixando seu corpo em um lugar onde eu achava que dava para ver tudo ali dentro. - Pode abrir agora.

Meu coração pulsava tão rápido que eu tinha medo dele sair correndo por aí enquanto Hyunjin mal havia aberto os olhos. Pela claridade do local - as janelas estavam bem abertas -, ele demorou um pouco para enxergar onde estava, mas ver os seus olhos brilhando ao estar novamente naquele quarto fez o cansaço e as duas noites que eu passei sem dormir para arrumar aquele lugar valerem muito a pena.

O sorriso dele era lindo.

- A minha sala de pintura... - sussurrou tão baixinho que eu quase não ouvi, levando a ponta dos dedos até a tela mais próxima e tocando como se tudo fosse uma grande miragem. Quando pôde sentir a constatação de que tudo aquilo era real, ele riu como uma criança feliz, tentando demonstrar de alguma maneira o quanto ele estava agradecido por tudo (claro, respeitando as limitações do seu próprio corpo).

Foi uma das primeiras vezes que eu senti um beijo espontâneo de pura paixão.

Eu sei que pareço exagerado ao pensar assim, já fui beijado outras vezes e com beijos um pouco mais fervorosos do que esse simples selinho que eu estou recebendo agora, mas acho que foi a primeira vez em que eu senti que Hyunjin amava a mim e não ao homem com quem havia se casado.

Ele estava apaixonado por mim, pela pessoa que havia acordado de repente em sua vida e que já o amava há muito tempo, mesmo que lhe conhecesse tão pouco. E eu consegui sentir tudo isso no meio de um selinho de lábios rachados e posição meio torta.

blueprint ; hyunchanOnde histórias criam vida. Descubra agora