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— Você está contratado!

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— Você está contratado!

Ah… o som celestial das portas da pobreza se fechando atrás de mim. Eu esperei tanto tempo por isso que, por um segundo, achei que tinha imaginado. Mas não, a moça do RH realmente disse aquelas três palavrinhas mágicas, com um sorriso contido e um carimbo na mão. Era oficial.

Quando decidi, de uma vez por todas, abandonar aquela boate infernal e tentar viver como um ser humano funcional, espalhei meu currículo por tudo quanto era canto. Literalmente. Se algum rato gourmet precisasse de ajudante no esgoto, era só me chamar. Eu estava pronto.

Agora que as crianças estavam em casa com Hyunjin, eu conseguia sair mais tranquilo. Assim que voltava das sessões de quimioterapia, deixava meu marido deitado no sofá, enrolado no cobertor e cercado pela guarda pessoal mais fofa do mundo: três soldadinhos de pijama que não deixavam ninguém chegar perto dele sem autorização. Com eles de plantão, eu podia ir mais longe na busca por emprego. E eu fui. Não ia voltar pra boate. Nem morto.

Então quando me ofereceram um cargo simples num supermercado, aceitei sem pensar duas vezes.

Não, não era o emprego dos sonhos. Mas também ninguém me olhou torto por estar careca, cheio de tatuagens e com a cara de quem já tinha brigado com a vida umas dez vezes antes do café da manhã. Só isso já valia o crachá.

— Preciso que traga sua documentação até quinta — explicou a moça. — Na sexta tem entrega dos uniformes e um treinamento rapidinho. Segunda você já começa.

Perfeito. Quatro dias inteiros pra aproveitar o fim do meu glorioso desemprego.

— Ficou alguma dúvida? — ela perguntou, com aquela simpatia protocolar.

— Não, tudo certo. Muito obrigado.

Saí da sala sentindo que podia voar. Minha vontade era pular no meio da rua e abraçar cada alma viva que passasse por mim, distribuir pirulitos, fazer a dancinha da vitória… mas não. Tinha quatro pessoas específicas que eu queria abraçar naquele momento e todas estavam me esperando em casa.

Apertei o passo, coração batendo rápido. Pela primeira vez em muito tempo, tudo parecia se encaixar.

A nossa família estava reunida. Os meninos estavam bem. Hyunjin, apesar de cansado, reagia bem ao tratamento e logo terminaria a primeira fase da quimio. E eu... eu tinha um emprego. Simples, mas honesto. O suficiente pra pagar as contas, garantir os remédios dele, manter a casa de pé. O suficiente pra continuar acreditando.

Era um começo. Um recomeço.

E pela primeira vez em meses, eu gostava de onde essa história estava indo. Não me sentia mais um personagem perdido num roteiro injusto. Aliás, acho até que o roteirista começou a pegar leve comigo. Vai ver se apaixonou pela nossa história também.

 Vai ver se apaixonou pela nossa história também

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blueprint ; hyunchanHistórias para pegar e não largar. Descubra agora