Após ter embarcado em uma noite de diversão ao lado de Jisung, Christopher acorda na casa de um desconhecido que, por algum motivo, insistia em chamá-lo de Alfa e jurava de pé junto que eles eram casados há dez anos.
Hyunchan | ABO | Menção Changlix...
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Fiquei ali, em pé, sem me mover, sem entender como era possível respirar sem dor, sem sentir o coração disparar, sem o menor sinal de desespero. Um vazio imenso me preenchia por dentro, como se as palavras que aquele homem tinha acabado de dizer tivessem levado consigo qualquer impulso de reação. Eu estava… morto?
Pisquei, devagar. Uma, duas vezes. O chão não sumiu sob meus pés, o ar não ficou rarefeito, ninguém correu em minha direção gritando "estamos perdendo ele!". Só o silêncio. Uma calma desconcertante, fria. Irreal.
— Isso é... o céu? — perguntei, a voz arranhada, seca, quase rindo de mim mesmo com o quão idiota soava aquela pergunta.
— Depende — ele respondeu, com um meio sorriso. Cruzou os braços, relaxado. — Pode ser o céu. Pode não ser. Alguns chamam de Estação de Transição. Outros, de Sala de Espera. Eu gosto de pensar que é um lugar pra respirar... antes do próximo passo.
— Próximo passo? — repeti, mais como um eco do que por curiosidade.
Ele apenas estendeu a mão e apontou para a parede de vidro. Do outro lado, a Terra. Enorme, azul, girando em silêncio no vazio. E eu ali, parado, olhando para ela como se ainda pertencesse àquele mundo. Como se ainda houvesse um caminho de volta.
— Não… — sussurrei, dando um passo instável para trás. — Não pode ser isso. Não agora.
— Ninguém acha que é agora — ele disse, se aproximando. A voz dele era suave, mas havia uma tristeza presa ali, uma que me atingiu como vento gelado. — Mas, Chan… chegou a sua hora. E eu não pude impedir.
Meus olhos se ergueram devagar, fixando os dele. Pequenos, puxados, brilhantes. E quando ele sorriu, suas covinhas se fizeram presentes novamente. Era um rosto bonito, jovem, quase infantil, o que por um segundo me fez querer ter um filho de novo.
— Você é tipo... Deus? — perguntei, sentindo os meus dedos apertarem o pano da roupa sem nenhum motivo.
— Eu? — Ele soltou um riso leve, quase sem humor. — Definitivamente não sou Deus. Existe alguém bem mais poderoso acima de mim. Eu sou só um cumpridor de ordens. Um funcionário cósmico de baixa hierarquia.
— Então quem você realmente é?
— Eu sou um ser de luz, Chan. Posso tomar forma humana quando necessário. E já fui muitas pessoas, homens e mulheres… Mas escolhi essa aparência e um nome, porque foi quando me senti humano pela primeira vez. Me chame de Yang Jeongin. Sei o quanto estar de frente para um outro humano deixa tudo melhor para vocês.
Disse com orgulho contido. O nome parecia trazer lembranças doces, e ele o saboreou com carinho. Seus olhos se perderam na imagem da Terra por um instante, até que completou, mais baixo:
— Ah, como sinto saudades de ouvir esse nome saindo dos lábios de Hyunj...
Ele travou a frase, apertou os lábios, mas tarde demais. Eu já tinha escutado. Um nó apertou minha garganta.