Nós dois merecemos

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Encontrei cinismo, encontrei críticas

Eu fui o zero, o herói

E eu tenho sido o vilão

Perdi mais do que um coração pode aguentar

Mas eu te encontrei no caminho

I Found You - Andy Grammer

Aperto o prego mais um pouco para garantir e fico de pé.

— Vamos levantar e colocar o colchão — digo limpando o suor da testa.

Olho para o berço e sorrio. Depois de montarmos tudo, me sento no chão ao lado de Marcus, marido de Victória.

— Não conte para Victória, mas estou apavorado — murmura.

Rio reconhecendo a sensação. Houve um momento em meu relacionamento com Sarah que fiquei realmente apavorado com a ideia de ser uma figura paterna tão forte para Diana, já que seu pai sempre foi muito ausente.

— Pode se sentir apavorado, é difícil no início — digo. — Mas você vai ser um pai incrível, Marcus. A pequena Lilian tem sorte de ter vocês dois como pais.

— Espero que você realmente esteja certo — suspira ao meu lado. — Você parece um pouco aéreo. Está se sentindo bem?

Pego uma bonequinha de enfeite que havia caído em algum momento.

— Sarah tem estado um pouco estranha desde que chegou semana passada.

— Estranha como? — ele franze o cenho.

— Não sei, mas tem algo de errado — balanço a cabeça em negativa e dou de ombros. — Talvez seja só a história da escola de Diana entrar em período integral.

— Mas ela passa o dia trabalhando.

— Ela ligava para casa às vezes para falar com Diana durante o dia, mas se estiver na escola integral as duas não vão poder se falar a qualquer momento. Acho que ela não está aceitando muito bem, estava falando sobre outro filho...

Levanto do chão e coloco a boneca em uma das prateleiras que instalamos.

— Estão planejando aumentar a família?

— Nunca pensei sobre isso, Diana que me dá cabelos brancos o suficiente. Mas às vezes penso se ela não se sente muito sozinha — comento ouvindo seu riso baixo e lembrando das vezes que Diana fica mal-humorada porque não tem alguém para brincar.

— Sarah não falou mais sobre o assunto?

— Não.

— Mas você quer tentar?

— Estou feliz sendo apenas nós três, mas se é algo que Sarah quer, fico feliz se aumentarmos nossa família.

Marcus bate em meu ombro.

— Falem sobre isso, Cézar. Quando Victória e eu sentimos que queríamos nosso filho, conversamos bastante. Talvez ela esteja estranha pela ideia da escola em tempo integral, ou talvez seja porque não sabe como abordar o assunto bebês com você.

Assinto com a cabeça. Ele tem razão. Sarah às vezes fala que faço mais do que devia em minha relação com Diana, porque nos conhecíamos apenas há sete meses quando ela passou a me chamar de pai e logo depois fui morar com elas.

— Já terminaram, meninos? — a voz de Victória se aproximava pelo corredor até que sua figura levemente mais rechonchuda, com uma bonita barriga, apareceu sob o portal, olhando tudo no quarto.

Doce AmargoOnde histórias criam vida. Descubra agora