Tentando encaixar sua mão dentro da minha
Quando nós sabemos que elas apenas não se pertencem
Não há força na terra
Que pudesse me fazer sentir bem, não
Tentando empurrar este problema pra cima do morro
Quando é muito pesado para segurar
Acho que agora é a hora de deixá-lo deslizar
Let it go – James Bay
Quando saio do banho propositalmente demorado e chego ao quarto vazio, sinto mais um misto de sentimentos conflitantes. De um lado, alívio. Do outro, falta dela. Enxugo meu corpo rapidamente e visto uma calça de moletom e blusa de flanela para dormir. Deito na cama e fecho os olhos, esperando que o sono me tome logo.
Porém, não acontece. Escuto suas passadas, inspiro e solto o ar lentamente, deixando os olhos ainda fechados e torcendo para que... Nem mesmo eu sei mais. Sinto cada movimento que a cama faz a medida que minha esposa senta. Já vi seu pequeno ritual tantas vezes nos anos de casados que não preciso abrir os olhos para saber que está usando a escova que sempre deixa na mesinha de cabeceira do seu lado da cama.
Sabrina sempre escova os cabelos, tira os pés dos chinelos verificando se vão estar no local certinho para quando acordar e não sentir o chão frio cedo da manhã. Ela sempre odiou o choque de temperatura do chão em seus pés saídos da cama. O colchão cede mais um pouco quando seu corpo deita ao lado do meu e percebo o lençol sobre mim ser minimamente repuxado a medida que se cobre.
Abro os olhos apenas agora, quando sinto que já está acomodada. Viro minha cabeça de lado e encontro, sem esperar por isso, seus olhos castanhos. Reatamos há duas semanas. Dias que não foram fáceis. Sua mão toca a minha, seus dedos formando caminho por entre os meus. Seu corpo, quente, se remexe na cama, se aproximando do meu. A mão livre dela toca meu peito coberto pela blusa e minha boca seca em antecipação.
Sabrina ergue-se o suficiente da cama para colocar parte do seu corpo sobre o meu, uma de suas pernas entre as minhas, a mão sobre o peito que se move em uma lentidão desejosa até escorregar para minha nuca e seus lábios descem até os meus, que umedeço para recebe-la.
Já a beijei muitas vezes em seis anos de casamento, inúmeras vezes, mas nunca me canso. É um frenesi e uma calmaria que nunca para. O ar agora nos parece faltar, como se não chegasse o suficiente para os dois. Meu corpo queima em rajadas causadas pelas suas mãos a medida que passeiam sobre mim. Coloco meu corpo de lado, sentindo o seu melhor. Toco-a onde posso, onde alcanço, seus cabelos macios, sua pele sedosa, a camisola fina, as coxas grossas e a bunda firme.
Há dias não a tenho em meus braços. Fugi, confesso. Depois de tudo, gostaria de dizer que, além de perdoar, esqueci o que aconteceu que nos separou lentamente. O máximo que tenho conseguido chegar é alguns beijos quentes, mas nada demais. Tudo o que aconteceu mexeu mais comigo do que quero admitir abertamente.
Acontece que nada é tão simples. Há duas semanas tenho ficado em um constante estado de tensão, frustração, raiva, medo, indecisão. Uma maldita confusão de sentimentos. Entre amar minha esposa e a raiva que me visita vez ou outra. O desejo de olhar seu celular para saber se há mais alguém com quem possa estar conversando e me recriminar porque não sou esse tipo de pessoa. Nunca fui e não quero ser.
Não consigo parar de pensar, em momentos como esse, se ele a tocou como estou tocando-a agora. Aperto os olhos com força e afasto minha cabeça dela que continua perdida no nosso momento. É minha mulher, minha esposa, pelo amor de Deus. Abro os olhos e encontro luxúria nos seus, um olhar quente que deixaria qualquer homem pronto no mesmo instante.
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Doce Amargo
Cerita PendekDoce Amargo - Parte I Com mais de sete anos ao lado da mesma pessoa, é possível pensar que a conhece. Mas Cézar jamais imaginou que estava tão enganado quanto a isso. Não passava por sua cabeça que Sabrina, a mulher que aceitou construir um futuro a...
